Google+ Followers

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A perseverança e os pecados dos verdadeiros crentes

 

Por Ewerton Barcelos Tokashiki

Os verdadeiros crentes salvos em Cristo Jesus são chamados para viver a graça de Deus livres da escravidão do pecado. Mas, a doutrina da Perseverança dos Santos também reconhece que aos convertidos lhes seja possível ainda cair em pecados. E sobretudo é possível que sejam pecados graves, e que neles permaneçam por algum tempo, sem perder a sua salvação.

Todavia, os verdadeiros crentes são trazidos de volta à sensatez espiritual, através de um genuíno arrependimento produzido pelo Espírito Santo (2 Co 7:8-10).

Não afirmamos que ao salvo lhe seja permitido pecar à vontade.

Segurança não significa libertinagem, senão estabilidade e gratidão. Aqueles que acusam esta doutrina de permissão para o pecado, simplesmente demonstram ignorância do assunto.

A perseverança é em santidade, pela graça, livres do pecado. A salvação nunca é simplesmente a salvação da culpa do pecado, mas também do poder do pecado. [1] É impossível que alguém seja salvo da culpa do pecado sem sê-lo do poder do pecado.

A Palavra de Deus não nos promete em nenhum lugar que depois de regenerados não pecaremos mais.

A Bíblia nos exorta enfaticamente à não pecar, todavia, se viermos a pecar podemos confiar no gracioso perdão do Pai (1 Jo 1:8-10).

É esta a confiança que o apóstolo João se refere quando fala “meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2:1, NVI).

J.I. Packer declara que: às vezes, os regenerados apostatam e caem em grave pecado. Mas nisto eles agem fora de seu caráter, violentam sua própria nova natureza e fazem-se profundamente miseráveis, até que finalmente buscam e encontram sua restauração à vida de retidão. Ao rever sua falta, ela lhes parece ter sido loucura. [2]

O pecado na vida do regenerado não pode ser causa de perdição. Lutero disse que o cristão é simul justus et peccator , ou seja, é declarado justo, mas ainda é reconhecido como pecador.

A salvação em Cristo Jesus compreende o sermos declarados justos e recebidos como santos diante de Deus, pelos méritos de Cristo aplicados em nós, pelo Espírito Santo.

Logo, não há mais condenação (Rm 8:1), nem escravidão do pecado, mas paz e segurança em Cristo (Rm 5:1-5), e conseqüentemente o verdadeiro crente não pode perder sua salvação.

O pecado cometido pelo crente não é menos grave do que o pecado praticado pelo ímpio.

Todavia, o crente é tratado de um modo diferente do ímpio, em sua punição.

Um verdadeiro crente possui a confiança produzida pelo próprio Espírito de Deus, que Ele “não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo a nossa iniqüidade” (Sl 105:10, ARA).

Eles estão vivendo sustentados pela graça, e não são tratados segundo as suas obras. Mas, Ele nos trata como filhos (Hb 12:7). Logo, para os que estão salvos em Cristo Jesus, a morte deixa de ser “o salário do pecado”, pois já receberam o “dom gratuito de Deus que é a vida eterna” (Rm 6:23, ARA).


Quando os verdadeiros crentes caem em pecado, mesmo pecados graves e escandalosos, eles não são abandonados por Deus. Deus nunca desiste deles (Rm 8:31-39). Como um Pai restaura os seus filhos, os disciplina “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.

"É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12:6, ARA).

O apóstolo Paulo afirma esta mesma verdade dizendo que “quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo” (1 Co 11:32). É possível cair em pecado, mas é impossível cair da graça de Deus.

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14, NVI).

NOTAS:

[1] Edwin H. Palmer, Doctrinas Claves (El Estandarte de la Verdad, 1997), p. 137

[2] J.I. Packer, Teologia Concisa (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999) p. 224.

Um comentário: