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segunda-feira, 3 de março de 2014

Quem são os Filhos do Reino?


Por Calvin Gardner

Versículo para memorizar: Mateus 10.6, “Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;”

Introdução: Sempre tem sido uma dúvida para mim por que o Senhor Jesus muitas vezes não quis que os curados anunciassem o Seu nome a todos. Se Ele veio para buscar e salvar o que havia perdido, e se a missão da igreja é fazer “discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19; Lucas 24.47), pregar “o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15), por que pediu aos discípulos para não ir “pelo caminhos dos gentios” nem entrar “em cidade de samaritanos” (Mateus. 10.5)?

O Apostolo Paulo falou do Evangelho e disse que este “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. Será que a frase “primeiro do judeu” referia-se a primeira operação de Deus entre os judeus no Velho Testamento? Será que a frase “também do grego” referia-se a uma segunda etapa, ou seja, ao Evangelho para os gregos na época do Novo Testamento (Romanos 1.16; 2.9, 10)?

Deus é soberano e, por isso, pode fazer o que quer com o que é dEle (Mateus 20.15; Romanos 9.21). Não duvido que Ele tem o direito de restringir o Evangelho aos judeus. Deus tem o direito de nos mandar pregar a todos, mesmo sendo algo que Ele não fez, todavia eu não entendia o porquê disso.

Pelo estudo das Escrituras o homem de Deus é aperfeiçoado para toda a boa obra. Agora percebo Cristo pregando primeiramente o Reino de Deus aos judeus, contudo, isso não significa que Ele pregou somente aos judeus. Depois de pregar aos judeus, Ele também incluiu os gregos, os quais somos nós, nos privilégios e responsabilidades da salvação.

Filhos do Reino Sendo Lançados Fora – Mateus 8.5-13

Existem os filhos do Reino de Deus que serão lançados fora do Reino em trevas exteriores onde haverá “pranto e ranger de dentes” (v. 12). Isto é um ensino claro desta passagem de Mateus e também de Lucas (Lucas 13.26-28). Haverá os que comeram e beberam na presença de Cristo (Lucas 13.26), e que têm por pai a Abraão (Mateus 3.9) que serão apartados de Deus (Lucas 13.27) pois têm o machado posto à raiz para serem cortados daquilo que esperavam (Mateus 3.10).

Se a participação no Reino de Deus significa ser salvo dos pecados ou ser feito um membro na igreja, temos um conflito grande com os ensinos claros da Palavra de Deus. Ela garante a segurança eterna para todos os que são regenerados em Cristo. Os em Cristo pela fé tem a vida “eterna” (João 3.16; 10.27-30; Hebreus 10.12-14), uma salvação baseada firmemente na graça (Romanos 11.6; Efésios 2.8,9), a justiça imputada pela obra salvadora de Cristo (II Coríntios 5.21). Estes têm o reforço da promessa de Deus que os salvos por Cristo nunca, de maneira nenhuma serão lançados fora (João 6.37-40).

Se Jesus prometeu que os salvos por Ele jamais serão lançados fora, quem são os filhos do Reino que Jesus ensinou que serão lançados fora? 

A resposta é: Os filhos do Reino que serão lançados fora são os judeus que, por linhagem, creram ser salvos sem um arrependimento dos pecados e sem uma fé pessoal no sacrifício de Cristo.

Nenhum filho de qualquer cristão tem garantia nenhuma de ganhar a vida eterna pela sua linhagem. Este filho pode ser ativo na igreja, até no púlpito, e depois ser lançado em trevas exteriores no dia do juízo. Por linhagem os judeus tinham privilégios “porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Romanos 3.2). Dos judeus “é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne” (Romanos 9.4,5). Mas “nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; (Romanos 9.5-7). Os que desejam a salvação devem olhar pela fé em Cristo Jesus somente (João 14.6). Não há outro meio ser salvo (Atos 4.12).

O Reino de Deus não é a igreja. Também ter relacionamento com o Reino não é garantia de salvação. Pode estar no Reino presente e não ser permitido entrar na glória do Reino futuro. A garantia não é linhagem, posição, oratória, auto-justiça, ou atividade zelosa, sucesso eclesiástico, etc. É por estar em Cristo somente. Entra nEle quer dizer ser nascido de novo, ou seja, pelo arrependimento e a fé.

O Reino de Deus Veio Para Israel

Quando foi que Jesus trouxe o reino para Israel? Aos Fariseus, os lideres dos judeus, Jesus declarou que “é chegado a vós o Reino de Deus” (Mateus 12.28). No ministério público de Jesus, o Reino foi oferecido aos judeus. Note bem: “É chegado a vós.” Todavia, a mente deles estava velada para não perceber o Reino de Deus diante deles.

Na entrada de Jesus em Jerusalém, os fariseus pediram que Jesus repreendesse os discípulos por exaltá-Lo como Rei. Chegando mais perto da cidade, Jesus chorou sobre ela dizendo: “Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos.” No mesmo discurso Ele individualiza o contexto dizendo que eles, os judeus, não reconheceram “o tempo da tua visitação” (Lucas 19.37-44; Mateus 23-37-39, “quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos ... e tu não quiseste!”). Cristo referia-se ao fato do Reino de Deus ser dado primeiro aos judeus, à nação de Israel. Eles estavam cegos à Sua boa vontade para com eles e, consequentemente, não tomou posse do Reino.

Sem dúvida nenhuma, Jesus veio a todos os homens. Contudo, em um senso cronológico: Cristo veio primeiro aos judeus, uma linhagem que Ele compartilhava sendo Filho de Maria, mas “os Seus não o receberam” (João 1.11). Depois, o Evangelho foi entregue também aos gentios.

O Reino de Deus foi Tirado de Israel – Mateus 21.43

Por Israel rejeitar Jesus como o Cristo, o Messias, a seguinte profecia foi proferida contra a nação de Israel: “a sua casa vai ficar-vos deserta porque Eu vos digo que desde agora Me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mateus 23.38-39). Por Israel não receber Cristo como seu Rei, o Reino foi tirado deles (veja também: Mateus 21.33-43).

Cristo estava entre esse povo, dado a este povo, mas rejeitado por este povo, tanto literal quanto espiritualmente. Quando Pilatos mandou que escrevesse: Este é Jesus “O REI DOS JUDEUS” (Mateus 27.37; Marcos 15.26; Lucas 23.38; João 19.19), a placa disse algo que os judeus não quiseram aceitar, ou seja, que Jesus era o Rei que eles rejeitaram. O Reino não foi tirado para sempre, mas somente por um tempo.
Rejeitar a Cristo terá graves conseqüências. O! Quantos Judeus morreram sem ter a vida eterna pela nação rejeitar a Cristo!

O Reino de Deus Será Restabelecido com Israel – Mateus 23.37-39

Durante o Seu ministério público Cristo não era reconhecido pelos judeus. Nem até hoje reconhecem Jesus como o Messias. Todavia um dia será declarado: “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mateus 23.38-39). Nesse dia Deus abrirá os olhos deles como uma nação, e receberão Jesus como seu Rei (Apocalipse 7.1-8; 14.1-5; 21.1-8 e 26).

Os apóstolos entenderam Cristo quando disse que Jerusalém por um tempo ficaria deserta (Mateus 21.43), pois, em Atos 1.6, perguntaram se naqueles dias depois da ressurreição Ele restauraria o Reino a Israel. Eles acharam que o tempo já tinha chegado. Na verdade, Jerusalém ficaria deserta, sem a glória de Deus muito mais tempo.

Paulo ensinou que a rejeição da nação de Israel seria temporária também, ou seja, “até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Romanos 11.25-29). Depois daquele tempo da plenitude dos gentios as múltiplas profecias concernentes a salvação da nação de Israel serão cumpridas para sempre.

O tempo para isso acontecer não é revelado, e não é para nós perceber. A nossa responsabilidade é pregar o Evangelho aqui, ali, lá e até aos confins da terra (Atos 1.6-8).

As promessas do Senhor são imutáveis. Todo aquele que se arrepende dos seus pecados e crê pela fé em Cristo Jesus, seja judeu ou grego, será salvo. Está nEle já? Por Cristo é tido todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais. 

Conhece essa graça de Deus que salva os pecadores? Se morrer na condição de não salvo, só resta uma eternidade separada em tormenta sem a presença da misericórdia de Deus.

2 comentários:

  1. Querido Douglas, grande tema mas como aplicar tudo isto a um contexto Calvinista?

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    Respostas
    1. Mano Marcão,

      Que alegria receber a sua visita e comentário! Seja bem vindo meu queridão!

      Na verdade o artigo não é meu, é de autoria do teólogo Calvin Gardner, será que você não se equivocou confundindo o reformador João Calvino com o nome do autor do artigo?

      Em todo caso, com relação a Soteriologia Calvinista, o texto está claro, enfatizando que os filhos do reino que serão lançados fora são os judeus, e não os membros da Igreja de Cristo, que somos nós!

      Todas as vezes que Jesus usou o titulo "filhos do reino", Ele estava se referindo aos israelitas, isto é, a descendência biológica do patriarca Abraão.

      Meu objetivo com este post, foi o de justamente elucidar o título "filhos do reino", para que os queridos leitores e visitantes deste espaço, entendam a parábola do Joio do campo (Mateus 13.24-30), que é o tema do meu próximo artigo!

      Voltando para a Soteriologia, o próprio Senhor Jesus nos garante a certeza e permanência da salvação (João 10.27-29), quando Ele disse que " lhes dou a vida eterna, e ninguém poderia nos arrebatar das mãos dele"

      Se você ler minuciosamente este artigo, verá que já está aplicado a um contexto calvinista, com relação à salvação eterna!

      Será que consegui responder a sua pergunta meu mano Marcão?

      Muito obrigado pelo comentário e participação. Sinta-se sempre à vontade para participar deste espaço!

      Um grande abraço, com a paz de Deus

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