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segunda-feira, 3 de março de 2014

Entenda a parábola do joio do campo


Por Douglas Pereira da Silva

Esta parábola foi proposta pelo Senhor Jesus em Mateus 13.24, a fim de explicar como se dará o julgamento final. Ela é essencialmente escatológica, isto é, lida com os acontecimentos que ocorrerão no fim dos tempos!

De acordo com a exposição que o Senhor fez, durante o Juízo Final, os anjos vão separar os "filhos do maligno" (o "joio", ou ervas daninhas) dos "filhos do reino" (o trigo).

É muito comum ouvirmos sermões desta parábola nas Igrejas, porem, com a mensagem ou pregação, soando de forma completamente inexata com o que de fato, o Senhor Jesus queria comunicar. É interessante notarmos, que os discípulos não entenderam esta comparação, e nos versos de 36 à 40 do evangelho de Mateus, eles pedem ao Senhor que explique a mensagem desta parábola.

A questão aqui, é semelhante a parábola das 10 virgens - explanado aqui - e também não se aplica a era da Igreja.

Infelizmente, vemos muitos pregadores dizendo que o trigo é o cristão fiel, e o joio, por sua vez, é o cristão infiel, que dá mal testemunho e que por isso não vai herdar o reino de Deus. Tal ensinamento ocorre, muitas vezes pelo desconhecimento e despreparo do ministro, nas Escrituras Sagradas, razão esta, pela qual o apostolo Paulo aconselha a Timóteo "manejar bem a Palavra da verdade" (II Timóteo 2.15) a fim de que não haja distorções como esta, infelizmente muito comum em nossas congregações!

Há quem pregue este tema, de forma ameaçadora para amedrontar os crentes, e sustentar a velha heresia romana que somos salvos através de nossas obras (Efésios 2.8-9).

Vamos entender, exegeticamente, o que de fato Jesus queria dizer!

De acordo com a explicação do Senhor (Mateus 13.36-43), vamos analisar minuciosamente, apenas os versos 37 e 38:

a) O que semeia a boa semente é o Filho do Homem (v.37). Aqui, Jesus está falando dele mesmo. O primeiro significado para o termo "Filho do Homem" é usado em referência à profecia de Daniel 7.13-14. O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando ser o Messias.

b) O campo é o mundo (v.38a). Eis aqui a razão pela qual afirmamos que esta parábola não se refere de forma alguma, à Igreja de Deus, pois se não, teríamos que o mundo é a igreja, o que obviamente, seria um absurdo.

c) A boa semente são os filhos do reino (v.38b). O título "filhos do reino" não se aplica à membros da Igreja de Cristo. Todas as vezes que Jesus utilizou este titulo, foi para designar os Israelitas, isto é, a descendência biológica do patriarca Abraão (Mateus 8.11-13). Para entender melhor este assunto, sugiro a leitura do artigo "Quem são os filhos do reino?", clicando aqui.

d) O joio são os filhos do maligno (v.38c). Filhos do maligno neste contexto, refere-se à todos os ímpios judeus, que não professaram a sua fé no Messias para reinar durante o período dos mil anos (Apocalipse 20.4). A identidade dos "filhos do maligno", também esta em Lucas 19, especificamente no versículo 27. Lembrando que nem todos que são de Israel, são de fatos israelitas (Romanos 9.6), pois muitos que se dizem ser judeus, não são judeus de verdade, os tais, são da sinagoga de satanás (Apocalipse 2.9).

Portanto, há sólidos indícios que esta parábola esta se referindo ao julgamento da nação de Israel, e não da Igreja nesta presente era. Vejamos:

1) o termo filhos do reino é usado em Mateus em referência a Israel (Mateus 8.11,12);

2) o julgamento descrito refere-se ao período em que Deus estará novamente lidando com Israel como nação, isto é, na consumação dos séculos;

3) o trigo e o joio crescem juntos até o julgamento, mas a igreja será arrebatada antes que a tribulação comece;

4) o julgamento que cai sobre os ímpios acontece por meio dos anjos antes de os justos serem recompensados, por isso a cronologia aqui refere-se à retirada dos ímpios para que somente os justos permaneçam;

5) o reino milenar é estabelecido imediatamente após esse julgamento;

6) a igreja jamais é julgada para determinar quem entrará na glória e quem será excluído. Isso parece mostrar que a parábola faz referência precípua a Israel durante o período tribulacional. É verdade, porém, que toda esta era será caracterizada por uma semeadura falsa em competição com a verdadeira.

Portanto, a parábola do trigo e do joio nada têm haver com membro da Igreja; cristão fiel (trigo) e infiel (joio). O que Jesus estava comunicando aqui, era justamente o julgamento da nação de Israel. 

A profecia da parábola, cumprir-se-a, quando o Senhor voltar a tratar com a descendência biológica de Abraão - a nação de Israel - conforme prediz as profecias das Escrituras Veterotestamentárias, de acordo com os ensinamentos do apostolo paulo aos crentes romanos (Romanos 11).

Evidentemente, neste período, a Igreja já terá sido arrebatada para encontrar com o Senhor nas nuvens (I Tessalonicenses 4.17), e, posteriormente, voltaremos com o Senhor após os sete anos de tribulação, para o estabelecimento do reino de mil anos!

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