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terça-feira, 10 de junho de 2014

Sobre as "panelinhas na igreja"


Por André de Oliveira

Somos seres sociais, necessitamos do convívio em grupo. A formação de um grupo se dá pelas afinidades, gostos, idade, condições socioeconômicas, enfim, pelo compartilhamento de algo em comum. Na igreja, como um agrupamento de pessoas, nada mais normal que haja grupos, mas o problema está quando grupos demasiadamente coesos "panelinhas" criam condições para exclusão de outros irmãos.

As panelinhas não abrem espaço aos novos, o que me faz remeter ao autor Norbert Elias, em seu livro "Os estabelecidos e os Outsiders" que mostra claramente essa problemática, em seu livro uma comunidade de estabelecidos (moradores há gerações na localidade) estigmatizam um grupo de Outsiders (recentes moradores). Elias concentra esforços em compreender a psicologia desses atores sociais. Pois bem, abrindo mão do sociólogo e rumando para nosso maior referencial, Jesus Cristo, que resumiu todos os mandamentos em um só "Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” (Jo 13:34). Nesse versículo, Jesus deixa claro a importância do amor, tarefa difícil, mas fundamental na peregrinação do cristão, buscar à cada dia um amor sublime por seus semelhantes, da mesma forma entre irmãos, na igreja, onde devemos ser um só corpo, unidos, amando nosso irmão, como Cristo nos amou.

Como cristãos devemos fugir das panelinhas, não criar barreiras aos novos, pelo contrário, acolher os novos irmãos, para que não sejam acolhidos pelo mundo, na igreja, embora todos tenham suas particularidades e diferenças, devemos pensar como uma unidade, como Paulo exorta aos Gálatas: "Não pode haver judeu nem grego; escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3:28). Quão doloroso é vermos jovens cristãos fracos, sem vontade alguma de congregar, porque são rejeitados pelas panelinhas.

Também acerca das consequências das panelinhas, está a condenação das pessoas não cristãs, quantos que vão visitar uma nova igreja e não são bem recebidos, entristecem e nunca mais voltam? Tamanha é a responsabilidade de criar na igreja um ambiente afetuoso, receptivo e que sobre amor.

Que não haja divisões dentro de nossas igrejas como houve na Igreja de Corinto, aos quais Paulo exorta: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer." (1 Cor 1:10), mais adiante (1 Cor 3:1-3), Paulo refere-se aos Coríntios como carnais e crianças espiritualmente.

Não sou utópico em pensar que abriremos mãos de nossos gostos, particularidades e teremos uma afinidade da mesma forma com todos à nossa volta, até mesmo os apóstolos Pedro, Tiago e João, possuíam afinidades entre si, os três eram pescadores, cresceram no mesmo meio social, tinham a mesma linguagem, cultura, mas isso não os deu direito de excluírem os demais apóstolos, Jesus tinha uma relação igual com todos, mesmo cada um possuindo uma identidade distinta

Por fim, pensemos, será que Jesus aprovaria a divisão da igreja em pequenos grupos que segrega, exclui e menospreza àqueles que não são aceitos? Devemos fazer parte de uma igreja, ter comunhão entre os irmãos, não só porque é uma exigência das Escrituras, mas porque lá louvaremos a Deus, e isso é o mais importante de tudo, mas quão bom é um igreja que nos faz sentir felizes e amados...

Em relação aos "rejeitados" pelas panelinhas, buscai conforto em Cristo, que com certeza os aliviará, não olhemos para o que já foi, mas prossigamos para o alvo, mantendo-nos firmes até o dia em que dormiremos e ouviremos o soar da trombeta, e viveremos com Cristo eternamente em seu Reino de Glória.

Ainda, cabe a todos nós orarmos a Deus e pedirmos maturidade para aceitarmos nosso irmão, tratar um ao outro com amor e que possamos seguir o ensinamento de Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13:35).

Sobre o autor: André de Oliveira é cristão bereiano, mestre em Agronomia, membro da CCB e ilustre colaborador adjunto do blog Teologando.

20 comentários:

  1. Que texto maravilhoso! Deus te abençoe!

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    1. Amém querido(a) Anônimo(a),

      Muito obrigado pela participação!

      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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    2. Muito bom o texto.

      Creio que esse problema, é um dos que nos faz crescer com menos força do que deveriamos. As vezes, não combatemos enquanto liderança, os pequenos detalhes.

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  2. Ótimo texto, brother Douglas.

    Não são poucas as vezes que fazemos "panelinhas" e nos fechamos, especialmente se encontramos irmãos que pensam diferente de nós...

    Que Deus nos ajude a amarmos a todos de modo igual, uma vez que o Senhor também não fazia acepção de pessoas...

    Texto muito necessário!

    Ah, e fiquei contente por saber que o autor é membro da CCB! :-)

    Deus abencoe!

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    1. Oi meu mano,

      Pois é, também vivo a realidade das "panelinhas" em minha comum congregação! Há provas consistentes de que a obra da [im]piedade, não é guiada pelo Espirito Santo de forma alguma, como eles querem dizer com todo orgulho e pompa!

      Também fico muito feliz por ver os nossos irmãos ccbeianos, mais informados quanto as doutrinas Bíblicas, e que não se conformam com aqueles costumes ridículos e exacerbado exclusivismo!

      O irmão André mandou bem no artigo!

      Deus abençoe meu querido HP, é sempre uma honra tê-lo neste humilde espaço!

      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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  3. Pois é.

    Como o texto disse, há panelinhas em muitos lugares, mas os cristãos devem fugir disso, pois é contrário ao amor .

    Vou contar minha história.

    Sou jovem, e é claro que, infelizmente, no meio de jovens há muitas panelinhas. Percebo que os mais bonitxs, com grana, mas extrovertidxs, filhxs do Ministério, estão sempre nessas panelinhas. E é claro, sempre conseguem namoradxs, sempre são convidados, sempre estão com amigos.

    Ou seja, se você está fora do padrão, é isolado. Não recebe convites para sair, não consegue namoradx, ninguém senta contigo numa excursão/caravana, ou após o culto, ninguém se aproxima de você, sempre atrás dos mais populares.

    Como eu não era nada popular, por ser muito tímida, enfrentei isso. Muitas vezes, ao sair, depois de um culto , me sentia muito perturbada pela minha solidão. Já chorei muito e questionei ao Senhor de joelhos: qual o problema comigo? Por que ninguém me estende a mão? Por que muitas vezes saio em paz após o culto e triste qdo vejo as acepção de pessoas?

    Já não sou mais tão tímida, e tenho diversas amizades com pessoas fora da igreja. Agora, em relação aos da igreja, sinto que existe uma barreira. Sempre me senti um peixe fora da água! Não consigo participar das conversas, pois rola muita fofoca, muitos julgamentos, invejas. Não que isso não exista em todos os lugares, mas fico triste por isso existir na igreja. Acaba nos afastando.

    Pergunto: cadê o amor de Deus? Cadê a caridade?

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    1. estou no cel do meu irmao e estou vivendo assim .. cada culto uma tristeza quando saiu e vejo q ninguem ligou q eu estava ali. mas jesus esta no controle da minha vida e sei q tdu passara. continue firme irmã.

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  4. Como disse anteriormente, não são apenas os jovens cristãos que enfrentam este distanciamento, mas são todos os que fogem aos "padrões". É triste ver que o dinheiro/ beleza te dão status até na Igreja.

    O Evangelho prega a caridade, a humildade. Se você vê uma pessoa sozinha, com dificuldades, inclusive em se socializar, tente estender a mão.

    E quando há o julgamento da pessoa que pecou de morte? Essa pessoa é tão excluída, tão condenada,.

    Que Deus tenha misericórdia, livrando-nos das panelinhas de nós! Não devemos excluir as pessoas, mas sempre abraçá-las.

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    1. Ola irmã Katherine,
      A paz de Deus!

      Seja bem vinda a este espaço! Estou muito feliz pela sua visita e participação!

      Infelizmente esta é uma triste realidade nas Igrejas; realidade esta, que precisa ser urgentemente mudada. O que existe, infelizmente, é uma falsa caridade, falsa humildade; pelo menos é isto que tenho visto!

      Quanto aos que "pecam de morte" - conforme a irmã mencionou - a situação torna-se pior ainda. Para os tais, segundo as pregações (pregações?) ccbeianas, o evangelho da graça se torna uma desgraça!

      Só Deus minha irmã, Só Deus!

      A propósito, escrevi um artigo falando sobre a invencionice teológica do "pecado de morte" - chama-se "Afinal, o que é pecado de morte?". Espero que a irmã aprecie, e tenha a sua fé e entendimento edificados pela graça e conhecimento do Senhor Jesus!

      Muito obrigado pela participação e comentário,
      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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  5. EU PRECISAVA LER ISTO, VOU COMBATER FORTEMENTE EM MINHA VIDA QUALQUER COISA QUE DIZ RESPEITO A PANELINHAS. APRENDI MUITO. DEUS VOS ABENÇOE RICAMENTE. OBRIGADO POR ME PROPORCIONAR ESSA REVELAÇAO AO MEU CORAÇAO. ABRAÇO

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    1. Amém querido irmão João,

      Que Deus te abençoe grandemente; fico muito feliz e satisfeito pela sua participação!

      Continue conosco; aproveito a oportunidade para suplicar as tuas orações.

      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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  6. Realmente essi texto fala há verdade, tou desviado atres meses por não mim senti bem dentro da minha igreja,sou inxcluido o tempo toda a te do grupo do whattsap.

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  7. Realmente essi texto fala há verdade, tou desviado atres meses por não mim senti bem dentro da minha igreja,sou inxcluido o tempo toda a te do grupo do whattsap.

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  8. Olá todo o mundo,nós poderiamos ir para a igeja que Jésus fundou sobre pedro fundarei minha igreja e os poderes infernais nao poderao lutar contra éla, esta é a igreja de 2 mil anos.abraços aos irmaos separados desta igreja i.c.a.r.

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    1. Como Constantino conseguiu enganar o povo hein? Pior é continuar acreditando... é desprezar o tico e o teco.. :(

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  9. Estou em uma Igreja faz apenas 5 meses e nunca perdí um culto e estou sempre disposto a ajudar qdo precisam. A Igreja é frequentada por umas 30 ou 35 pessoas. Poucos conversam comigo, até mesmo a esposa de um dos Pastores mal me cumprimentam. Quando tem uma reunião de Comunhão, todos tem seus grupos e eu fico alí sozinho olhando todos conversarem. Sinto vergonha em me aproximar por não saber do que estão falando, talvez possa ser algo particular. Muitos passam direto pela minha frente e nem me olham. Eu fico olhando para a pessoa para cumprimentar, mas nem olham, então não cumprimento. Até no grupo do whatsapp, quando posto algo ou digo algo, ninguém dá importância. Somente conversam aqueles que a muito tempo está alí. Estou pensando em sair da Igreja e não sei o que dizer, pois estou em uma escola de canto e minha Professora, que gosto muito é uma das Pastorais da Igreja.

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    1. Querido, que congregar é esse? Que comunhão é essa?
      Voces sao unidos apenas por causa de um lugar e o horário quando o lugar está aberto?

      Saia, procure GENTE para se reunir. Gente. Não robôs.

      Que Deus te abençoe.

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  10. Na minha igreja os primeiros a fazerem acepções de pessoas são os líderes. Desde que chegaram na igreja começaram a trazer divisão. Antes éramos poucos, mas super unidos. Todavia agora eles fazem questão de nos fazermos srntir
    Que não somos bem vindos.
    X

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  11. Olá! Adorei o texto.
    Frequento uma ICLB há 4 meses. Nunca faltei um culto e fui a dois eventos. Até hoje não me sinto a vontade no templo. É um constrangimento chegar e sair, já que não conheço ninguém e não percebo interesse por parte dos irmãos. Muitas vezes vou sozinha, pois me converti depois de casada. A maioria das pessoas são idosas e fazem rodinhas de conversa no início do culto no qual nunca participei. Procuro ser simpática e cumprimento a todos que vejo, mas nunca passou de um oi e tchau. Não me sinto parte da comunidade e a cada domingo parece que é a primeira vez que visito a igreja, já que tenho o mesmo sentimento de acanhamento, um verdadeiro peixe fora d'água.
    Sinto muita vontade de conversar sobre a Palavra, participar de algum grupo ou coisa do tipo mas parece que as pessoas estão mais preocupadas com o "Chá das vovós" ou "Festa junina", etc. Penso em trocar de local e descobrir de posso ser acolhida de uma maneira mais receptiva e interessada em alguma congregação que seja focada na Palavra de Deus.

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