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sábado, 13 de setembro de 2014

Teria Jefté sacrificado a sua própria filha para pagar o voto a Deus, ou não?


Por Douglas Pereira da Silva


Analise Exegética de Juízes 11.29-40

Esta passagem é mais um texto de difícil compreensão das Escrituras Sagradas, pois inconscientemente, ao interpretarmos, temos a dificuldade de despirmos de todo o sistema e conjunto de crenças doutrinárias que adquirimos ao longo da nossa caminhada cristã.

Eis o maior desafio do exegeta Bíblico: é o de interpretar somente o que o texto sagrado diz, sem interferências doutrinárias, e sem auxílio da Teologia Sistemática.

Para ser fiel e extrair a interpretação fidedigna do texto sagrado, o exegeta deve se abster de pressuposições e preconceitos que se adquiri com os credos de Fé das denominações evangélicas, isto é, deve-se fazer perguntas ao próprio texto Bíblico e extrair as respectivas respostas do mesmo!

Ao discutirmos tal passagem, o irmão Alceu Figueiredo, que é um teólogo autodidata e exímio estudioso das Escrituras, apresentou a interpretação tradicional, aceita pela maioria das Igrejas Cristãs. Ele disse o seguinte:

"Jefté não sacrificou sua filha, como muitos acreditam, atribuindo o fato de ter morado com os Cananeus e adotado essa prática de sacrifício humano. Em Israel jamais existiu tal prática e Deus proibiu terminantemente que se fizesse sacrifícios humanos (Dt 18:9-12); logo Ele não iria se alegrar com o que proibiu. O voto de Jefté foi condenar sua filha a uma virgindade perpétua, e sendo ela filha única (Jz 11:33), isto significava ficar sem descendência. Veja bem que ele votou que ofereceria ao Senhor o que primeiro saísse de sua casa, logo não esperava sair um animal de dentro de casa. Notemos que a filha de Jefte chorou a sua virgindade, e não que iria morrer (Jz 11:37), e depois do voto ser cumprido ela manteve sua virgindade (Jz 11:39); finalmente de ano em ano ela recebia visitas de suas companheiras que viam lamentar [elogiá-la em algumas versões] (Jz 11:40). Ela foi servir no santuário como algumas mulheres faziam, no serviço de manutenção e provisão, e foi daí, que a cristandade tirou o modelo das “virgens enclausuradas.”

O Biólogo e entusiasta colecionador de Bíblias de Estudo, Márcio José Sérgio Ermida, sem titubear, foi mais enfático ainda em sua opinião:

"A Bíblia não se contradiz. E, na dúvida, permanece a doutrina oficial. Se Deus abominava (eu disse abominava) as nações cananeias por causa de seus pecados, e abominava seus pecados, por que de repente vai aceitar que um filho seu cometa uma abominação por voto? Fico com a doutrina que dura até hoje " Não matarás..."

Todavia, este simplório blogueiro acredita que Jefté sacrificou – literalmente – a sua filha! 

Para tanto, elencarei os motivos para a interpretação literal, o qual é facilmente extraída do texto aplicando minuciosamente as regras da Exegese:

a) Na época dos Juízes de Israel, cada um “fazia o que bem entendiam”, pois não tinham uma liderança centralizadora para guia-los, tal como fizera muitos anos antes Moisés e Josué, razão pela qual não obedeceram a voz do Senhor; casaram-se com as mulheres dos heteus, dos heveus, dos jerbuseus, dos cananeus e de todos os povos ao redor, dos quais o Senhor ordenará que não se casassem. (Juízes 2.11-3.6);

b) Certamente, Jefté estava familiarizado com as práticas da cultura e da religião pagã destes povos, devido a mistura de raças que houve na época por causa dos casamentos mistos, conforme explicamos anteriormente no item (a);

c) O texto de Juízes 11.29-40, não é um texto Normativo, mas sim Narrativo. No mesmo não está ensinando que Deus aprovou o voto de Jefté, e muito menos que devemos fazer sacrifícios humanos, mas está apenas narrando a loucura que este juiz praticou. Como exemplo de texto narrativo desta mesma categoria, citamos Gênesis 12.10-20, onde narra o episódio da mentira de Abraão – seu nome ainda era Abrão. Observem que o texto não dá margem, para a formação de doutrina, isto é, não há nada de Normativo ali. Muito menos, não vemos a pessoa de Deus sendo conivente e ainda aprovando a mentira de Abrão; mais ainda, tal como a passagem que estamos analisando, não temos o relato de alguma ação interventora de Deus repreendendo e impedindo Abraão para não mentir, Há outros textos Narrativos no Antigo Testamento - inúmeros na verdade - que o leitor poderá conferir posteriormente, porém, vamos nos limitar apenas neste único exemplo para a brevidade do presente artigo.

d) A palavra 
Holocausto sempre é usada no Antigo Testamento para descrever um sacrifício de sangue com oferta queimada. Confiram Gênesis 8.20; 22.7; Êxodo 29.18, Levítico 1.3; 1.17; 6.9; Juízes 13.16; I Samuel 7.9; 13.12; I Crônicas 16.40 etc. (obs.: são muitas passagens, todavia, para ilustrar como exemplo citarei apenas estas); 

e) O texto diz que a filha de Jefté foi chorar a sua virgindade, pois ainda não havia sido possuída por nenhum homem (v.37), todavia, esta informação é vaga para concluirmos que o sacrifício consistiu apenas em manter-se virgem por toda vida, e por quê? Porque a palavra Holocausto aparece no versículo 31, e conforme explicamos no item (d) sempre foi usada no Antigo Testamento, para denotar derramamento de sangue com oferta queimada, isto é, sacrifício - literalmente; se conferirmos todas as passagens Bíblicas no Antigo Testamento em que a palavra Holocausto é empregada, constataremos este fato!

Concluindo...

Será que o autor do livro de Juízes se equivocou, escrevendo a palavra errada - no caso Holocausto - para narrar este episódio?

Ou ainda, será que é um erro cometido por algum copista da antiguidade, ao reproduzir o livro copiando do Original?

Em todo caso, não há como provar estas duas possibilidades!

Aos que conhecem o idioma hebraico - a língua com que foi originalmente escrito o Antigo Testamento - e desejam se aprofundar no assunto em pauta, o versículo 31 de Juízes 11 está escrito da seguinte forma (a sentença "oferecer em holocausto" esta destacado em vermelho):

מה, מחוץ לדלתות של הבית שלי לפגוש אותי, כשאני חוזר בני עמון בשלום, זה יהיה יהוה, ולהציע אותו לעולה.


Teólogos de todos os segmentos afirmam que, de fato, Jefté não só votou que sacrificaria um ser humano como cumpriu o que prometeu. A Bíblia de Estudo de Genebra, por exemplo, faz o seguinte comentário a respeito da passagem em questão:

"Jefté derrotou os amonitas, mas, durante a batalha, fez um voto precipitado ao Senhor, com base no qual foi obrigado a sacrificar sua filha querida como holocausto. Ao contrário dos deuses pagãos, Deus não deveria ser adorado com sacrifícios humanos (Dt 32.17; Sl 106.37-38). O voto imprudente de Jefté mostra como lhe faltava fé para liderar; sem essa fé, sua casa não seria estabelecida".

Dentre os muitos colaboradores responsáveis pelos comentários da Bíblia de Estudo de Genebra, destacam-se homens como Mark Futato (Reformed Theological Seminary), R. Laird Harris (Covenant Theological Seminary), Meredith Kline (Gordon-Conwell Theological Seminary), Tremper Longman III (Westmont College), Raymond C. Ortlund Jr. (First Presbyterian Church of Augusta), Richard L. Pratt Jr. (Reformed Theological Seminary) e Bruce K. Waltke (Reformed Theological Seminary). Não sei exatamente quem escreveu os comentários do livro de Juízes. No entanto, sei que tal interpretação passou pelo crivo do editor responsável pelo Antigo Testamento, o Dr. Bruce K. Waltke, e do editor-geral, o Dr. Richard L. Pratt Jr.

Embora o sacrifício humano fosse proibido aos israelitas, não surpreende que um semi-cananeu tomasse tão estranha atitude. Caso paralelo é o do rei de Moabe, que sacrificou o seu filho primogênito (II Reis 3.27). Compare-se ainda, na mitologia grega, o sacrifício de Ifigênia e Policena. A nobreza de caráter manifestada pela filha de Jefté fez dela uma das heroínas mais célebres do mundo antigo.

Temos ainda, o caso do rei Manasses de Judá que queimou a seu filho como oferta de sacrifício em adoração as deuses pagãos (II Reis 21.6).

Autores como Josefo, Lutero, Matthew Henry, Jemieson-Fausset- Brawn, A. C. Hervey, H. A. Hofner Jr., E. J. Hamlin, etc., argumentam que a linguagem do próprio texto não deixa dúvidas de que Jefté realmente ofereceu sua filha em sacrifício. A favor dessa posição, temos - ainda - as seguintes observações:


a) Jefté certamente estava familiarizado com a prática de sacrifícios humanos das nações circunvizinhas (ver Juízes 11.1-3, 24); por isso foi fortemente influenciado por práticas pagãs de sua época;

b) O fato de haver sido usado pelo “Espírito do Senhor” na vitória sobre os amonitas não o tornou infalível em suas demais decisões;


c) Juízes 11.31 sugere claramente que a pessoa que primeiro saísse da casa de Jefté seria dedicada ao Senhor “em holocausto”;

d) A reação de Jefté em Juízes 11.35 seria exagerada se a questão envolvida fosse apenas a dedicação de sua filha em celibato ao Senhor;


e) Não faria sentido chorar “a sua virgindade” por “dois meses” (Juízes 11.38) já que a moça continuaria virgem e viva;



f) Se a filha de Jefté fosse apenas dedicada à perpétua virgindade, não necessitaria de dois meses para chorá-la, pois, teria a vida inteira para fazê-lo;

g) O próprio texto declara que Jefté fez com sua filha “segundo o voto por ele proferido” (Juízes 11.39);


h) No versículo 40, diz que as israelitas saiam de ano em ano para cantar em memória da filha de Jefté. Ora, ninguém canta em memória de alguém, se este alguém estiver vivo!


i) Os heróis da fé mencionados em Hebreus 11 não eram pessoas que nunca pecaram, e sim pessoas que alcançaram a vitória sobre os seus pecados (ver, por exemplo, Êxodo 2.11-15; Juízes 13.16; II Samuel 11.12).


Em todo o caso, o professor e mestre exegeta da Faculdade Teológica Batista de Osasco, teólogo com graduação especializada nos idiomas Hebraico e Grego pela Universidade de São Paulo, Edson da Mata, que também acredita em um sacrifício literal, fez a importante observação:

"Seja como for, a passagem de Jefté nos traz uma importante lição: cuidarmos de nossas palavras a fim de se evitar os diversos erros que cometemos, quando falamos sem pensar, sem medir, sem planejar. Estou certo que Jefté nem imaginava que poderia ser a sua filha a primeira a aparecer. Ele fez um voto de tolo, não cuidou em ser tardio no falar, tal como o apóstolo Tiago nos ensina em sua epístola. Creio ser esta, a maior lição que podemos extrair deste trágico episódio".

Portanto, conforme todas as observações listadas, este modesto aprendiz de teologia, acredita - sinceramente - que Jefté tenha cometido a loucura de sacrificar a sua filha, isto é, o mesmo fez um voto de tolo; sequer ele pensou que poderia ter sido sua própria filha que sairia ao seu encontro - tal como o professor Edison pontuou em sua opinião – votando impensadamente.

Agora é com vocês, queridos e diletos leitores do Teologando; toda essa questão permanece aberta à discussão e até hoje não se conseguiu chegar a um denominador comum.

Qual é a sua opinião à respeito?

ADVERTÊNCIA: As opiniões constantes no presente artigo, e as especulações teológicas existentes da passagem de Juízes 11.29-40, não refletem em hipótese alguma, matéria ou doutrina de Fé. Todavia, serve apenas como um aprendizado, e como curiosidade Bíblica e lúdica, para ampliarmos a nossa percepção intelectual. Seja qual for a visão teológica defendida, não traz quaisquer prejuízos para o duplo propósito das Escrituras Sagradas, e para a Fé Cristã.

25 comentários:

  1. Bem , na minha opinião Jefté iria vencer a guerra independente dele ter feito o voto. Não foi Deus quem pediu , mas ele que ofertou tal sacrificio , e creio que o Senhor não recebeu , pois repudiava sacrifícios humanos e só não interveio por causa do livre arbitro.

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  2. Venceu a guerra por que o Espirito do Senhor estava sobre ele.

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    1. Perfeito irmã Sonia,

      O seu pensamento a respeito coincide com o meu, conforme explanado no artigo!

      Muito obrigado pela participação minha irmã, é sempre muito bom receber os seus comentários!

      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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  3. Douglas,

    Eu creio que sim, ele sacrificou a filha.
    Agora o escritor de Hebreus o lista junto aos Heróis da Fé... de se pensar, né?

    Abraços.

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    1. Então HP,

      Acredito que Jefté foi listado junto aos heróis da Fé em Hb 11, em razão de suas qualidades e pelo fato de ter sido um instrumento nas mãos de Deus para livrar o povo do jugo dos amonitas, e não pelos seus pecados e transgressões!

      Estou plenamente convencido que Deus não é Senhor de "santarrões", mas escolhe homens débeis e pecadores para executar a sua vontade, como demonstração de amor e misericórdia!

      Meu mano querido, imagine então, pensar em como foi a vida de cada um dos personagens que fazem parte da Genealogia do próprio Senhor Jesus (Mateus 1)... Loucura né?

      Se não, vejamos rapidamente, somente alguns personagens:

      Abraão: Era um idolatra antes de ser chamado por Deus, e mesmo depois, era um cabra mentiroso que só, um baita de um velhaco [risos]!

      Jacó: Esse era um trapaceiro de primeira categoria, e enganador hein!

      Raabe: Pow... Essa era uma prostituta, sem comentários...

      Manassés: Foi o pior que já existiu, sacrificou o próprio filho em adoração aos deuses pagãos, encheu toda a Jerusalém de sangue pela violência que praticava, adorava os astros, era feiticeiro e agourento (II Reis 21; II Crônicas 33);

      Amon: Esse camarada era filho de Manasses, sabe como é né (?) também sacrificou aos deuses pagãos o seu filho e tal; é aquela história: filho de peixe, peixinho é;

      Davi: a Bíblia diz que era o segundo coração de Deus, mas também era um assassino em potencial, sangue no olho esse cara meu, tanto que Deus não deixou ele construir o templo, por causa da quantidade de homens que ele matou com as próprias mãos, isso sem mencionar, que ele praticou o "pecado de morte" né? [risos] tão malandro que ainda planejou a morte do marido da mulher pra esconder o seu pecado...

      Como pode isso HP, o Senhor Jesus descender dessa raça ruim? Como diria os nordestinos: "eram uns caboco ruim da peste viu! [risos].

      É meu mano querido, estou convicto que Deus não é Senhor de homens santarrões...

      Um grande abraço, e um ósculo santo com carinho!

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    2. Hehehe
      Gostei das tuas observações sobre cada personagem. rsrs

      É... a descendência humana do Senhor Jesus era bem "humana" mesmo. No pior sentido, claro. rsrsrsrs

      Um abração meu mano!

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  4. Irmão Douglas ,

    Pelo que eu li , segundo estudiosos esse tipo de prática (sacrifício de humanos) era executada , pois segundo os povos antigos , "acalmava a ira dos deuses". Um dos deuses mais temidos pelo povo da antiguidade eram os chamados "deuses serpentes". Os arqueólogos descobriram pelo mundo todo , registros em cavernas subterrâneas , desenhos com figuras de seres com aparência de répteis e serpentes. Se fosse numa certa localidade , mas pelo mundo todo! Dá para se pensar...

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    1. Gostei das informações irmã Sonia,

      Enriqueceu ainda mais os nossos conhecimentos!

      Ainda nos dias de hoje, vez ou outra nos deparamos nos noticiários, casos de sacrifícios de criança realizado em trabalhos de magia negra, é bárbaro né?

      Na antiguidade era muio comum este ato abominável, principalmente nos cultos cananeus!

      Outra razão para acreditar que Jefté sacrificou a sua filha de fato, é justamente os demais exemplos que encontramos na Bíblia concernente a isso, todavia, não encontro nenhum exemplo nas Escrituras de alguém sacrificando a sua virgindade, isto é, voto de celibato pelo resto da vida. Não conheço nenhum exemplo neste sentido nas Escrituras Sagradas!

      Mas há vários, relatando casos de sacrifícios de seres humanos; Manassés, rei de Judá é um bom exemplo, fora os demais...

      Agora, voto de celibato? Isso não era uma prática comum em Israel, ou era? Não me recordo de nenhum exemplo!

      Por isso divergi na opinião, quando o nosso irmão Alceu disse: "Em Israel jamais existiu tal prática e Deus proibiu terminantemente que se fizesse sacrifícios humanos (Dt 18:9-12)"

      Que Deus proibiu, isso é verdade, mas infelizmente, a prática do sacrifício humano existiu em Israel, não só existiu, como a Bíblia também relata casos de canibalismo em Israel!

      Em períodos de fome, as mães cozinhavam os seus próprios filhos para comer, e não perecerem de fome (II Reis 6.24-33). Isso sem falar nos demais casos de canibalismo, quando o povo israelita foi subjugado pelos babilônios!

      Irmã Sonia, a Bíblia Sagrada é realmente incrível, é fonte inesgotável de conhecimento

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  5. Verdade irmão Douglas. Em 20 Ezequiel , Podemos confirmar essa prática pelos israelitas:

    30 Portanto, diga à nação de Israel: Assim diz o Soberano, o Senhor: Vocês não estão se contaminando como os seus antepassados se contaminaram? E não estão cobiçando as suas imagens repugnantes?
    31 Quando vocês apresentam as suas ofertas, o sacrifício de seus filhos no fogo, continuam a contaminar-se com todos os seus ídolos até o dia de hoje. E eu deverei deixar que me consultem, ó nação de Israel? Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que não permitirei que vocês me consultem.
    E quem está dizendo isso é Deus Soberano !
    Realmente a Biblia é uma fonte de conhecimentos que me deixam fascinada embora alguns assuntos me deixam com um ponto de ? rsss...

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    1. Pois é irmã Sonia,

      Observe que a própria história e as evidencias levantadas, convergem para o fato de que, sem dúvida, Jefté sacrificou a sua filha!

      Não consigo negar tal fato, o próprio contexto da passagem, de uma forma simples e natural, nos leva à chegar à esta conclusão!

      Nossa dificuldade é de aceitar o fato, em razão de nossos preconceitos pressuposições que adquirimos ao longo de nossa caminhada cristã; temos uma série de doutrinas e ensinamentos na nossa cabeça, oriundas de nossa denominação e da teologia sistemática! Daí não aceitamos o fato, pois sabemos que Deus abomina o sacrifício humano.

      No entanto, em parte alguma no contexto desta passagem que analisamos, ensina que devemos sacrificar seres humanos e que tão pouco, Deus aceitou tal oferenda. Percebe, irmã Sonia, que a passagem é NARRATIVA e não NORMATIVA?

      Até mesmo a teologia rabínica, tem uma baita dificuldade com esta passagem; os judeus estudiosos da Torah divergem entre si quanto ao ocorrido, assim como acontece conosco!

      Bem, o contexto da passagem - pelo menos pra mim - esta mais claro do que a luz do dia!

      Se tal sacrifício, consistiu no celibato da filha de Jefté, então temos um problema irmã Sonia, e um problema dos grandes!

      Por que o escritor do livro de Juízes, empregou a palavra "HOLOCAUSTO" na passagem?

      Por que no verso 40, diz que as israelitas saiam de ano em ano, cantando em "MEMÓRIA" da filha de Jefté? A irmã já viu alguma vez na vida, cantar em MEMÓRIA de alguém que está vivo?

      Outra coisa, por que Jefté agiu daquela forma quanto viu a sua filha? A passagem deixa claro que ele ficou completamente transtornado, desesperado...

      Vamos continuar investigando irmã Sonia; talvez os nossos leitores tenham opiniões diferentes e muito mais fundamentadas do que a nossa!

      A paz de Deus!

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  6. Acredito sim q ele sacrificou literalmente a sua filha.
    Diante disso creio q para os q assim como eu fizeram votos q n conseguem nem conseguirao cumprir, ja era.
    Pergunto aos irmaos ha alguma pista na biblia com relaçao a isso? Obg desde ja .

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    1. Oi Jessica,

      A paz de Deus!

      Sim, há pistas (Eclesiastes 5.4-5).

      Todavia, o costume de fazer votos foi, predominantemente, uma característica da Antiga Aliança, da dispensação o qual chamamos de Lei!

      Nos tempos do Antigo Testamento as pessoas faziam diversos tipos de votos com Deus. Um exemplo disso encontramos em Gênesis 28.20-22, onde Jacó promete dizimar se contasse com a presença de Deus em sua jornada.

      O voto foi prescrito na Torah. Veja:

      “Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti.” (Deuteronômio 23.21-22).

      Jessica, a Torah já foi cumprida por Jesus; a velha aliança já caducou, estamos na Graça, e não mais debaixo da Lei!

      Portanto, o cristão não deve fazer voto, porque Cristo já veio; Ele é a garantia de nossa vitória!

      Hoje em dia, algumas pessoas tentam usar votos e promessas para barganhar com Deus, esquecendo-se do sentido original do voto: que era consagração e gratidão a Deus.
      Portanto, tal prática não deve ser mais valida para os nossos dias.

      E outra, não temos sequer um único exemplo nas Escrituras Neotestamentárias, de algum cristão fazendo votos; eu pelo menos, não me recordo de nenhum exemplo! Se encontrares algum, diga-me por favor!

      RESUMINDO: O voto é um expediente da Lei, e não da Graça!

      O que devemos fazer, é seguir o ensino de Jesus em Mateus 5.33-36.

      Muito obrigado pela participação e comentário, dileta irmã!

      Um grande abraço, com a paz de Deus!

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  7. Muito obrigado por ter visitado o meu blog.

    A sua análise é muito interessante!

    Deixo aqui o link para o meu artigo do mesmo tema:
    http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2012/01/jefte-sacrifica-filha.html

    Abraço

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  8. Deixe-me ver se entendi. Quer dizer que quando Deus pede Isaque em holocausto, na verdade era para Abraão castrá-lo? cara, pra mim você é um fanfarrão. Fica com medo de pregar bíblia e prega esses seus pensamentos mirabolantes. Saiba de uma coisa, amigo, quem for sensível à Palavra de Deus, vai ouvi-la e acatá-la. Não precisa criar uma hipótese para esconder a verdade. Sabe o que é isso? É que pra vocês tudo o que Deus faz ta errado, aí tem que inventar história pra fica do seus jeitos. Você acha muito alguém oferecer a filha em holocausto a Deus? Então toma cuidado pra que você e seus adeptos não comecem a matar almas com as vossas EXEGESES E HERMENÊUTICAS F U R A D A S....

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    1. Prezado anônimo,

      Todos os seus comentários são desprovidos de ordem e compreensão!

      Qual é a relação do presente artigo com a sua fala:

      ["Então toma cuidado pra que você e seus adeptos não comecem a matar almas com as vossas EXEGESES E HERMENÊUTICAS F U R A D A S...."]

      Defina qual é o significado de “matar almas”

      É tão estupido e estarrecedor as coisas que você despeja aqui, pois deveria saber que homem nenhum na face da terra pode “matar almas”; Deus não concedeu este poder ao homem!

      O máximo que o ser humano pode fazer é matar o corpo!

      Só Deus pode matar a alma do homem, seu sabichão (Lucas 12.4-5)

      Anônimo, use a inteligência que Deus te deu (?), e seja coerente! Se as postagens não te agradam é simples: basta você não acessar o blog!

      Que Deus te abençoe!

      Excluir
  9. Caro irmão Douglas, acho que nós começamos as coisas de forma errada.
    Muito prazer. O irmão anônimo chama-se Marcos.
    Acredito que seja a última vez que acesso seu blog, e, de verdade, não gostaria que ficasse algum rancor. Dois servos de Deus não deveriam discutir sobre Jesus, mas sim pregá-lo independente da placa da igreja, certo? Acredito em meu coração que você está errado em algumas coisas e tenho certo que você pensa o mesmo de mim. Mas nada disso importa. Se alcançarmos a misericórdia de Deus, tudo que precisarmos aprender, tanto você quanto eu e todos os que acessam o blog, aprenderemos para então reinar com Cristo. No que eu estiver errado (e sei que não sei todas as coisas), estou de coração aberto a Deus para dEle aprender. Acredito o mesmo de você.
    Que Deus te abençoe.
    Um grande abraço.
    Fica com Deus.

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  10. Anônimo 2
    Difícil é pensar o que passou na cabeça de Jefté momento de votar. Será que ele considerou que pimenta nos olhos dos outros é refresco? Sem pensar que a pimenta cairia no seu próprio olho.

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  11. Claro que é um texto narrativo e eu não tenho problema com o que Jefté fez, porque a culpa é dele e não minha. O que eu não consigo suportar é a idéia de que ele foi incluído entre os heróis da fé, principalmente pelo o que está escrito no final do capítulo, QUE OS HERÓIS DA FÉ ERAM HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO É DIGNO. Como incluir Jefté no meio desses. Pra mim um completo absurdo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hehehehehe,

      Pois é Anônimo!

      É este absurdo que - as vezes - chamo de Soberania de Deus!

      Permita-me escrever-lhe outro absurdo, o qual até hoje não encontrei uma resposta plausível segundo minha diminuta capacidade de raciocínio:

      O casamento misto, isto é, do povo hebreu com outros povos (filisteus, jerbuseus, canaanitas, amonitas etc.) foi terminantemente proibido por Deus (Deuteronômio 7.3-4), veja também Neemias 13.23-29.

      Pergunto:

      Como pode, Deus permitir e operar no casamento de Ester com o rei Assuero, e abençoar este fato usando-o para livrar os judeus da conspiração de genocídio planejada por Hamã?

      Pow, o rei Assuero era pagão, e portanto, um idolatra que adorava um panteão de deuses, além do harém que possuía!

      Consegue responder esta Anônimo? Até hoje não encontrei uma resposta convincente!

      Que Deus te abençoe; muito obrigado pela participação!

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  12. Ester teve filhos com Assuero? Não encontrei nada na Bíblia a esse respeito...

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  13. Irmão Douglas , eu acredito que Deus não permitia casamentos de hebreus com outros povos , para que estes e suas gerações não se contaminassem com outros deuses. Ele queria uma linhagem santa , separada e distinta, que cria no Deus Verdadeiro, Criador de tudo, e que obedecia aos seus mandamentos e que permanecesse de geração em geração. Houve alguns casamentos com gentios , como Raabe , Rute , mas estas foram fiéis à Deus. Também sabemos o que sucedeu com Salomão , Sansão , Acabe atc... por se relacionarem com mulheres , que não eram hebréias.

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    1. Então irmã Sonia,

      O fato é que Deus proibiu o casamento misto justamente por estas razões que a irmã pontuou assertivamente. Sei da fidelidade dos personagens que a irmã aludiu. Todavia, a história de Ester é enigmática...

      Também não tenho conhecimento com relação aos filhos de Ester com Assuero, mas não tenho dúvidas de sua maternidade; o maior indicio desta hipótese é o fato dela ter encontrado graça aos olhos do rei no episódio do cetro de ouro.

      Certamente deve existir, alguma fonte histórica ou documento extra bíblico, que narre a maternidade de Ester!

      Obrigado pelo comentário; é sempre uma alegria tê-la aqui “teologando” com a gente!

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  14. Pelo que me informei ;até hoje não foi encontrado nada que provasse que Esther teve filhos. Se ela realmente não teve filhos , não houve então o risco de sua geração ser contaminada por outros deuses.

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    1. Então irmã Sonia,

      A sua conclusão não pode ser definitiva pelo seguinte: Esta hipótese não garante contaminação ou pureza das práticas idolátricas dos povos pagãos...

      Lembra-se da prostituta Raabe (Josué 2)? Ela não era uma mulher hebreia e sim canaanita!

      O nosso Senhor Jesus que era judeu e nunca pecou na perspectiva de sua natureza humana, descendeu da linhagem desta mulher (Mateus 1.5).

      Alias, prezamada irmã Sonia, desafio a irmã e os demais leitores, estudar o perfil psicológico e a conduta moral de cada um dos personagens aludidos na Genealogia do nosso Senhor em Mateus 1.

      Quando estudei o assunto, cheguei à seguinte conclusão: Deus não é Deus de santarrões, mas sim de pecadores penitentes que almejam e clama por misericórdia e que detesta a sua condição de imperfeição! Ledo engano de quem pensa que estamos livres do pecado [risos]. Estamos livres – por causa da obra do nosso Senhor – da condenação do pecado...

      A mulher que não alcançava a graça da maternidade era marginalizada e desprezada por estas sociedades primitivas!

      Isto posto, minha irmã Sonia, meu palpite é que Esther foi mãe e gerou descendentes do rei Assuero!

      Quando tiver tempo, farei uma pesquisa mais profunda para confirmar meu palpite, investigando a existência de fontes históricas e documentos antigos, extra Bíblico, que confirme tal fato!

      Um grande abraço minha irmã!

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  15. Estava me referindo mesmo era à idolatria , adoração a outro deuses ... coisa que Deus abominava. Tanto é que o primeiro mandamento de Jesus é amar à Deus acima de todas as coisas e depois ao seu próximo como a si mesmo.

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