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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Voltei para o meu Lar

 
Por Douglas Pereira da Silva
 
 
Monólogo da parábola do filho pródigo – Lucas 15.11-32 – pregado no dia 09 de Junho de 2015, na sala de aula da Faculdade Teológica Batista de Osasco e Adjacências.
  
Nasci e fui criado em uma família feliz; tive carinho, amor, atenção e uma boa educação dentro de casa. Meu Pai era um homem muito sábio, firme em suas decisões, manso, amoroso, era e é o maior exemplo para a nossa família. Cresci neste ambiente de amor e retidão; sempre em sua presença e companhia, meu Pai me ensinava com dedicação e esmero, os bons costumes e a ser um cidadão de respeito e dignidade. Tinha toda a liberdade que desejava dentro de casa; meu Pai confiava plenamente em mim para administrar os seus negócios, e ainda, me orientava para que no futuro soubesse conservar o patrimônio e valorizar tudo o que tinha conquistado com nosso trabalho: os campos e as ovelhas que nossa família possuía, pois éramos o mais rico de toda região.
Então fui crescendo, crescendo e crescendo.
Quando cheguei à juventude, um sentimento de insatisfação pela minha pacata vida no campo e a curiosidade em conhecer o mundo e viver na cidade, se instalara abruptamente na silenciosa sala do meu coração; cada vez mais pulsava dentro de mim, aquele espirito aventureiro e rebelde, pois desde então, achava a vida no campo muito sem graça; já não tinha o mesmo interesse e entusiasmo em cuidar dos negócios e viver com minha família; passei a negligenciar contundentemente as orientações que desde cedo recebi, não tinha mais a mesma alegria de outrora, não queria mais viver naquele ambiente por sentir-me deslocado e pensar que estava perdendo meu tempo naquele lugar.
Certo dia, já com o espirito completamente rebelde e insubmisso, fui ajustar as minhas contas e haveres com meu Pai, exigindo minha parte na herança a fim de partir e nunca mais voltar. Neste ponto, o meu grande sonho era “curtir” a vida e ser “feliz”. Sequer me importei em ouvir seus conselhos e advertência, que com amor e ternura me falava. Tamanha era a cegueira que eu me encontrava, iludido com a falsa percepção de alegria que o mundo proporciona, com a mente completamente insana e sem consideração, não fui capaz de perceber o meu terrível desatino: que exigir o pagamento da minha parte na herança, era o mesmo que matar o Homem que sempre me amou.
Com a parte que me tocava da herança em mãos, parti com rumo ao destino de uma vida de aventura e curtição; sonhava com este dia – de sair da minha casa e ganhar a vida.
Fiz muitos “amigos”, era muito “querido” e “amado” por todos que conheci nesta nova fase. Tive muitas mulheres, e “aproveitei” ao máximo todos os prazeres que o mundo pode oferecer: festas, amigos, bebidas, orgias e lugares de alto requinte. Planejava investir uma parte daquela grana, mas gastava compulsivamente para sustentar os vícios que adquiri; até que um dia, percebi que já restava pouco dinheiro em função do desperdício que eu havia cometido.
Foi neste período que uma grande fome acometeu aquela cidade, e usei a quantia que restava para suster-me por um breve período. Todo aquele sonho de ganhar a vida, ser prosperamente independente, meus projetos e desejo de ser “feliz” curtindo a vida na cidade, foram frustrados. Meus “amigos” e as pessoas que andavam em minha companhia nas festas que frequentei, além das mulheres que ostentavam excessiva beleza, me abandonaram. Cheguei ao fundo do poço, precisando mendigar para não morrer de fome, pois nesta circunstancia, findaram todas as minhas economias. Encontrei um emprego de cuidador de porcos, e submeti sem experiência alguma a este dificílimo trabalho, para pelo menos tentar ganhar um prato de comida. Tal era a minha situação de fome e miséria, que desejava comer o alimento que era servido àqueles animais.
Foi neste momento de desespero e angustia que então comecei a cair em si; pois errei e cometi loucura em apostatar do meu Pai, baseado na ilusão de buscar felicidade e satisfação que o mundo – na verdade – jamais poderia proporcionar. O vazio em minha alma e a tristeza era grande. Lembrei-me dos ensinamentos e da postura do meu Pai, do carinho com que me tratava e do conforto da minha casa. “Como voltar atrás? Como desfazer todo o mal e as decisões equivocadas?” Estas foram as duvidas que, após recobrar a minha consciência com arrependimento e contrição, dia e noite corroíam o meu coração.
O desejo de voltar para casa aflorou em mim, mas a vergonha em ter que enfrentar o meu Pai era muito grande. Ensaiava na minha mente e fantasiava a minha volta, alimentando minhas esperanças; “quando encontrar com o meu Pai” – pensava eu – “direi a Ele: Pequei contra o céu e contra Ti e já não sou digno de ser chamado de teu filho, mas faze-me como um dos teus empregados e te servirei até o fim”; pois até os empregados do meu Pai, eram tratados com dignidade, e viviam incomparavelmente melhor do que eu estava vivendo. Minha meta e meu desejo era voltar para casa, mas ficava receoso e com vergonha do que fiz, pensava que meu Pai não perdoaria por causa do terrível erro que cometi, e decepção que Ele sofreu.
Já não suportando mais aquela situação de miséria e angustia, tomei coragem para voltar rumo a minha casa; estava muito sujo e com as vestes rasgadas, havia muito tempo que eu não tomava banho.
Ao chegar à porta de casa, meu Pai me avistou e de longe me reconheceu vindo ao meu encontro. Meu coração batia tanto, parecia que ia sair pela boca. Quando Ele se aproximou de mim, então falei sem hesitar olhando para o chão, dado o sentimento de fracasso e vergonha que agora residia em meu coração: “Pai, Pequei contra o céu e contra Ti e já não sou digno de ser chamado de teu filho, mas faze-me como um dos teus empregados e te servirei até o fim”.
Com ternura e amor, sem exigir quaisquer explicações meu Pai me abraçou com tanta força, que o calor dos seus braços foi suficiente para aquecer o meu corpo gelado do intenso frio das inúmeras noites que estive nas ruas sozinho, dormindo pelas sarjetas; Ele não olhou a maneira como eu estava: sujo e maltrapilho, meu corpo e fisionomia refletia fielmente o resultado das minhas péssimas escolhas.
Ao contrário das minhas expectativas, meu Pai me amou e ama até hoje; fui readmitido novamente e, com orgulho, o meu Pai me chamava de filho. A alegria foi tão grande que Ele evidenciou a sua satisfação em me receber novamente promovendo uma inesquecível festa para comemorar o meu retorno, e ainda, não exigiu de mim quaisquer explicações.
Pude aprender então, que o mundo não pode oferecer amor e o conforto emocional que tanto necessitamos; nada se compara com a alegria que tenho e posso desfrutar na presença do meu Pai, mesmo em momentos de crises e desventuras.
Voltei permanentemente para casa, e aconchego-me todos os dias da minha vida no amor do Meu Pai.
Sim, voltei! Para o meu lar Paternal.
Se, assim como no passado cometi este terrível desatino, você também ambiciona conhecer o mundo e “curtir” a vida se ausentando da presença de Deus, saiba: O mundo, que é este sistema organizado contra os valores do Pai, não é o teu lugar!
Ou quem sabe a minha história passada se pareça com a sua atual, e você cometeu os mesmos erros ou ainda piores e, está com vergonha e sem forças, receoso, pensando que não pode ser perdoado e aceito por Deus, se achando um ser humano irrecuperável, saiba: A bondade de Deus não tem limites e o amor dele por você é incondicional; Ele está de braços abertos aguardando a sua volta.
Portanto, ó filho pródigo e perdido, ó amado irmão, voltai para Deus, vai depressa!
Volta para o seu lar, o lar Paternal!


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