sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Bibliomancia e a Congregação Cristã no Brasil


Por HP

O texto abaixo em azul é encontrado no Wikipedia, enciclopédia online mundial, na página dedicada sobre a Congregação Cristã no Brasil:

Kerigmática e Homilética
A pregação do sermão é feita sem preparo prévio ou com notas, com pregações improptu ou extempore. A pregação da Palavra na Congregação Cristã alinha-se à tradição protestante de centrar-se na pregação da Bíblia, como um elemento importante como revelação da Palavra divina. Entretanto, há interpretações populares da pregação da Bíblia. Como manifestação de religiosidade popular, semelhantes às consultas a oráculos, muitos fiéis da Congregação Cristã no Brasil praticam o "buscar a palavra", uma forma de adivinhação ou bibliomancia. Para esses membros, suas decisões pessoais quanto a trabalho, viagem, negócios, estudos, casamentos serão pautados pelos oráculos da pregação. Corroborando com essa prática, muitos ministros alternam suas pregações entre promessas materiais e controle comportamental visando a manutenção da comunidade. Assim, resulta na prática de haver pouca ou nenhuma exegese bíblica nas pregações de muitos desses pregadores. Todavia, essa bibliomancia da pregação não é oficialmente endorsada pelo ministério da Congregação Cristã no Brasil, que em recente circular admoestou contra tais práticas.

Os membros da Congregação Cristã no Brasil são, na sua quase totalidade, adeptos a Bibliomancia.

Mesmo quando a Liderança da Instituição admite ser contrária a tais práticas (através de inúmeros tópicos de ensinamentos e circulares), é notório que o crescimento da denominação se deu por razão desta característica nas pregações.

São raros os pregadores nos púlpitos da denominação que apenas expõem a Palavra de Deus nas pregações, sem usar de artifícios da bibliomancia.

Tais pregadores são classificados como “frios” pelos demais membros, apesar de poderem ter algum respeito pela “sabedoria” em conhecer a Bíblia.

Também não é raro ver confusões que esta bibliomancia traz ao povo. “Pegar Palavra errada” é uma das aberrações citadas quando profecias não se cumprem na vida daquele que acreditou.

Não são raros os casos de pessoas que vão aos cultos apenas para buscarem respostas, ou negociam com Deus para conseguirem respostas, orando mais, frequentando mais os cultos, cumprindo regras diversas, o popular "se consagrando" para terem a "resposta de Deus".

São comuns as profecias genéricas como “Deus te dará a Vitória” ou "Deus te confirma" pregada para um grupo de algumas centenas de pessoas.

Há também a personificação do nome de Deus por aquele que prega com dizeres como “Eu (Deus) te digo” ou então “Eu (Deus) colocarei a minha mão” ou mesmo "Eu (Deus) te confirmo", muito comuns nos púlpitos da denominação.

Devemos sim crer nos dons do Espírito Santo, e que sim, possa haver profecias a respeito de situações futuras, tais como encontradas em Atos 21:10 e Atos 11:28, porém a essência das pregações no Novo Testamento são a respeito do ministério de Cristo e a aplicação dos Ensinamentos do Senhor Jesus na vida da Igreja.

Respostas para decisões pessoais, profecias sobre o futuro de alguém, personificação do nome de Deus nas pregações  NÃO são atividades respaldadas no Novo Testamento.

Você pode citar exemplos diversos na tua vida que tal “bibliomancia” funcionou. Mas seja sincero consigo mesmo: Quantas foram as pregações que você chorou, manifestou e acreditou, mas nada aconteceu e você preferiu se contentar em acreditar que “pegou palavra errada”, por medo de "blasfemar" ao achar que a pregação não tenha sido realmente "Deus falando" com o povo?

Seria muito melhor rever teus conceitos de fé em Jesus Cristo.

Sim, siga a Jesus apenas e creia nos Ensinamentos que Ele nos deixou. Pregação suficiente é a de Jesus apenas.

Em tudo agradeça a Deus. Seja em coisas boas ou más que te sucedem.

Saiba que:

Felizes são os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

Felizes são os que choram, porque eles serão consolados;
Felizes são os mansos, porque eles herdarão a terra;
Felizes são os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Felizes são os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Felizes são os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Felizes são os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Felizes são os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Felizes sois vós, quando vos ofenderem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso prêmio nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (Mateus 5:3-12)

Que Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A vida diária de um apóstolo de verdade


Por Augustus Nicodemus Lopes

As cartas que Paulo escreveu à igreja de Corinto são as de maior cunho pessoal e que mais revelam como era a vida daquele que é considerado o maior apóstolo do Cristianismo, data vênia Pedro e os papistas.

Como era a vida diária de Paulo, um apóstolo de Cristo?

- evitava batizar muita gente, para que não se formasse um fã clube em torno do seu nome (1Co 1:14-17);

- evitava a ostentação de linguagem na pregação pelo mesmo motivo e pregava somente a Cristo e este crucificado (1Co 2:1-5).

- a razão é que ele queria evitar que pessoas se agregassem à igreja impressionadas por seus talentos e carismas e não pela fé em Jesus Cristo (1Co 2:5).

- ficava lembrando seu rebanho de que ele era um mero servo, junto com outros, e que seu sucesso em ganhar pessoas para Cristo se devia tão somente à graça de Deus e não a méritos próprios (1Co 3:5-9).

- insistia que Deus requeria dos apóstolos somente que fossem fiéis, e não que fossem bem sucedidos, diante da tentação de muitos de compararem os ministérios dele, de Apolo e de Pedro (1Co 4:1-3).

- era constantemente considerado – inclusive por pessoas que faziam parte das próprias igrejas que havia fundado – como condenado a morte, espetáculo ao mundo e aos anjos, louco, fraco e desprezível (1Co 4:9-10).

- em diversas ocasiões passou fome, sede e nudez; foi esbofeteado e não tinha moradia certa ou casa própria (1Co 4:11).

- trabalhava até cansar com as próprias mãos para garantir o seu sustento (1Co 4:12).

- era perseguido, injuriado, caluniado e considerado o lixo do mundo, mas não respondia nem revidava a nenhuma destas provocações (1Co 4:13).

- muitos achavam que ele não tinha o direito de receber sustento da igreja e nem de se fazer acompanhar de uma esposa nos trabalhos missionários intensos e cansativos. Por isto, ele trabalhava para se sustentar e se recusava a receber salário, ofertas, dízimos e contribuições das igrejas, quando fazer isto pudesse lançar dúvida sobre suas intenções (1Co 9:1-12).

- pregava e evangelizava nas igrejas de graça, sem nada pedir e nada receber, para não colocar empecilho ao Evangelho de Cristo (1Co 9:15-18), pois seu alvo era ganhar o maior número possível de pessoas.

- preocupava-se em ser irrepreensível, em controlar-se e manter suas paixões e desejos debaixo de controle, para poder ter autoridade para pregar (1Co 9:25-27).

- enfrentou a morte várias vezes no trabalho missionário, e em algumas delas considerou que sua hora de morrer tinha finalmente chegado (2Co 1:8-9).

- passava por constantes sofrimentos e angústias de coração por causa das igrejas e dos crentes a quem amava e por quem se preocupava individualmente (2Co 2:4).

- perdoava e pedia o perdão dos outros para aqueles que o haviam ofendido e prejudicado o seu trabalho (2Co 2:7-8).

- quando era necessário mostrar as suas credenciais de apóstolo, apontava para as multidões convertidas pelo Evangelho da cruz que pregava com simplicidade e no poder do Espírito (2Co 3:1-4).

- tomava o maior cuidado para não adulterar a mensagem do Evangelho, não andava com astúcia e nem procurava enganar seus ouvintes para tirar proveito financeiro deles (2Co 4:1-2).

- vivia como um condenado à morte, levando em seu corpo o morrer de Jesus na forma de privações, perseguições, sofrimentos, calúnias e injúrias, como meio da vida de Cristo se manifestar através dele (2Co 4:7-15).

- sua esperança e expectativa não estavam aqui, nas riquezas, propriedades e bens, mas o tempo todo ele faz menção da glória celestial, das coisas invisíveis e eternas que ele aguardava como recompensa de seus sofrimentos e trabalho (2Co 4:16-18).

- quando precisava se recomendar aos ouvintes como ministro de Cristo incluía em seu currículo as muitas aflições, angústias, privações, açoites, prisões, tumultos, vigílias e jejuns no trabalho do Senhor (2Co 6:4-10).

- ainda nesta lista incluía os 39 açoites recebidos dos judeus pelo menos 5 vezes, ser fustigado com varas 3 vezes, 3 naufrágios, apedrejamentos, perigos de salteadores e assassinos, além do peso constante da responsabilidade das igrejas que pesava sobre seus ombros (2Co 11:29).

- passou privações e teve de trabalhar arduamente para não ser pesado às igrejas onde receber oferta seria dar motivo para a acusação de mercenário (2Co 11:7-9).

- apresentava como motivo de gloria o fato de que uma vez teve que fugir de uma cidade escondido em um cesto e descido pelos irmãos pela muralha, para poder escapar com vida (2Co 11:30-33).

- lutava diariamente com um doloroso espinho na carne, que o abatia e fazia sofrer e clamar a Deus, mas sem resposta a não ser a provisão da graça para poder suportá-lo (2Co 12:7-10).

Muitos se consideram sucessores dos apóstolos, aqui e em Roma. É só comparar...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O sectarismo excludente religioso práticado por alguns membros da Congregação Cristã no Brasil


Por Douglas Pereira da Silva

Recentemente, um grupo na rede social - facebook - formado por membros da Congregação Cristã no Brasil denominados de "Amizades CCB", divulgaram na respectiva página a seguinte mensagem:

"Nos somos a unica a eleita a amada de Cristo na Terra a escolhida essa é a única doutrina que pode levar aos céus doa a quem doer ninguém é obrigado a ir na Congregação e nem aceitar essa santa doutrina agora a inveja mata né".


Não há dúvidas de que o autor desta pérola, certamente movido de fanatismo religioso e total desconhecimento das Escrituras Sagradas, precise URGENTEMENTE de um sério acompanhamento psicológico, e ainda, possivelmente um tratamento psiquiátrico para curar tamanha sandice e loucura!

É inconcebível, dado o volume de informações que dispomos nesta modernidade, com o avanço tecnológico e a internet, encontrar na grande rede um grupo de cristãos (cristãos?) que pregam e ainda apoiam esse tipo de mensagem... É um perfil tipico, de um terrorista, integrante daqueles grupos radicais islâmicos que matam e morrem em nome de sua religião!

Nos tempos de Jesus, os discípulos também pensaram em plantar, no início da Era Cristã, um sectarismo religioso excludente, mas Jesus os repreendeu:

"E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós”. (Marcos 9.38-40)

É oportuno citarmos neste ponto, as palavras do Dr. Ézio Luiz Pereira, quando dissertava sobre o comportamento sectarista praticada por membros de denominações evangélicas. Ele diz o seguinte: 


"Não raro se vê uma organização religiosa inflexível que se auto-proclama “igreja verdadeira”, “igreja perfeita”, “igreja mãe” (?!), “A Igreja Fiel” etc. Eis a resposta de Deus, no texto em epígrafe: “Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos, mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento” (II Coríntios 10.12) e “Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas sim aquele a quem o Senhor louva” (II Coríntios 10.18). Assim diz o Senhor, pela boca de Salomão: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16.18). Outro texto na mesma linha: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado...” (Mateus 23.12)".

Ainda em seu artigo - "Sectarismo Religioso no Cristianismo" - ele observa:

"Sob esse viés, o sectarista religioso não tolera o outro, tal aquele que “não bebe do mesmo cálice”, “não acende a mesma vela”, não está “no mesmo ninho”, não navega “no mesmo barco” razão pela qual não consegue conviver com a diversidade doutrinária evangélica, porquanto se julga superior no conhecimento de Deus, vale dizer, se julga “representante exclusivo de Deus” e, segundo entende, monopoliza a “revelação”, como o faziam os fariseus dos tempos neotestamentários, o que se revela absurdo. Não há respaldo bíblico para essa tese. Assim, o referido comportamento é fruto de mente doentia, de idéia patológica, típica de quem não conhece, com profundidade, as Sagradas Escrituras. Toda interpretação textual traz a reboque um subjetivismo/relativismo questionável. E qual a interpretação correta? Sob o ponto de vista de quem?".

E concluí:


"Cristo convivia com a diversidade e nunca outorgou “mandatos” a quaisquer denominações eclesiásticas, como sendo “a verdadeira” ou identificável como tal. Ao revés. Cristo mantinha diálogo com grupos diferentes e os seus discursos mais rigorosos foram exatamente aqueles em confronto com os religiosos, máxime os fariseus. Quem incitou a crucificação do Messias foram religiosos sectaristas. Não se confunde igreja de Cristo com organização eclesiástica. A primeira é espiritual/virtual; a segunda é mensurável/visível. A primeira é difusa; a segunda é concentrada. A primeira não se limita a espaço e tempo; a segunda se demarca em circunstância espacial e temporal. A primeira não porta uma bandeira denominacional ou um rótulo; a segunda se identifica por uma bandeira representativa de uma logomarca exclusivista e excludente etc".


Portanto, acreditar na hipótese de que um prédio cinza por fora, de quatro paredes brancas por dentro, com sua liturgia e costumes é a detentora da graça de Deus na Terra, é, no minimo, chamar o Senhor Jesus de Incompetente por não ter salvado a todos os crentes que confiaram em sua obra redentora na cruz da calvário até 1910 - ano em que Louis Francescon fundou a Congregação Cristã no Brasil.

Que Deus perdoe este incauto, o autor da infeliz mensagem que blasfemou inconscientemente (?) do Senhor Jesus com tamanho desatino!

Oremos, para que Deus abra os olhos e o entendimento de quem professa esta estranha Fé - se é que podemos chamar isso de Fé (?) - para que também procurem a ajuda médica - caso seja necessário - para curar a loucura destes surtos religiosos.

SOLA PIEDADE, e SOLA DEO trabalhando de dia e de noite na cachola destes desavisados...

P.S.: É nestas horas que me bate uma profunda vergonha, de ser membro da Congregação Cristã no Brasil.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sete Caracteristicas de Abuso de Autoridade Espiritual


Por Ronald M. Enroth

1. Distorção da Escritura: para defender os abusos usam de doutrinas do tipo "cobertura espiritual", distorcem o sentido bíblico da autoridade e submissão, etc. Encontram justificativas para qualquer coisa. Estes grupos geralmente são fundamentalistas e superficiais em seu conhecimento bíblico. O que o líder ensina é aceito sem muito questionamento e nem é verificado nas Escrituras se as coisas são mesmo assim, ao contrário do bom exemplo dos bereianos que examinavam tudo o que Paulo lhes dizia.

2. Liderança Autocrática: discordar do líder é discordar de Deus. É pregado que devemos obedecer ao ancião, cooperador, pastor etc, mesmo que estes estejam errados. Um dos "bispos" de uma igreja diz que se jogaria na frente de um trem caso o "apóstolo" ordenasse, pois Deus faria um milagre para salvá-lo ou a hora dele tinha chegado. A hierarquia é em forma de pirâmide (às vezes citam o salmo 133 como base), e geralmente bastante rígida. Em muitos casos não é permitido chamar alguém com cargo importante pelo nome, (seria uma desonra) mas sim pelo cargo que ocupa, como por exemplo "pastor Fulano", "bispo X", "apostolo Y", etc. Alguns afirmam crer em "teocracia" e se inspiram nos líderes do Antigo Testamento. Dizem que democracia é do demônio, até no nome.

3. Isolacionismo: o grupo possui um sentimento de superioridade. Acredita que possui a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. Eu percebi que a relação com outros denominações - quando há alguma relação - se da com o objetivo de divulgar a marca (nome da denominação), para levar avivamento para os outros ou para arranjar público para eventos. O relacionamento com outras denominações é desencorajado quando não proibido. Em alguns grupos, no louvor são tocadas apenas músicas da própria denominação.

4. Elitismo espiritual: é passada a idéia de que quanto maior o nível que uma pessoa se encontra na hierarquia da denominação, mais esta pessoa é espiritual, tem maior intimidade com Deus, conhece mais a Bíblia, e até que possui mais poder espiritual (unção). Isso leva à busca por cargos. Quem esta em maior nível pode mandar nos que estão abaixo. Em algumas igrejas o número de discípulos ou de células é indicativo de espiritualidade. Em algumas igrejas existem camisetas para diferenciar aqueles que são discípulos do pastor. Quanto maior o serviço demonstrado à denominação, ou quanto maior a bajulação, mais rápida é a subida na hierarquia.

5. Controle da vida: quando os líderes, especialmente em grupos com discipulado, se metem em áreas particulares da vida das pessoas. Controlam com quem podem namorar, se podem ou não ir para a praia, se devem ou não se mudar, roupas que podem vestir, etc. É controlada inclusive a presença nos cultos. Faltar em algum evento por motivos profissionais ou familiares é um pecado grave. Um pastor, discípulo direto do líder de uma denominação, chegou a oferecer atestados médicos falsos para que as pessoas pudessem participar de um evento, e meu amigo perdeu o emprego por discordar dessa imoralidade.

6. Rejeição de discordâncias: não existe espaço para o debate teológico. A interpretação seguida é a dos lideres. É praticamente a doutrina da infalibilidade papal. Qualquer critica é sinônimo de rebeldia, insubmissão, etc. Este é considerado um dos pecados mais graves. Outros pecados morais não recebem tal tratamento. Eu mesmo precisei ouvir xingamentos por mais de duas horas por discordar de posicionamentos políticos da denominação na qual congregava. Quem pensa diferente é convidado a se retirar. As denominações publicam as posições oficiais, que são consideradas, obviamente, as mais fiéis ao original. Os dogmas são sagrados.

7. Saída Traumática: quem se desliga de um grupo destes geralmente sofre com acusações de rebeldia, de falta de visão, egoismo, preguiça, comodismo, "pecador de morte" etc. Os que permanecem no grupo são instruídos a evitar influências dos rebeldes, que são desmoralizados. Os desligamentos são tratados como uma limpeza que Deus fez, para provar quem é fiel ao sistema. Não compreendem como alguém pode decidir se desligar de algo que consideram ser visão de Deus. Assim, se desligar de um grupo destes é equivalente a se rebelar contra o chamado de Deus. Muitas vezes relacionamentos são cortados e até famílias são prejudicadas apenas pelo fato de alguém não querer mais fazer parte do mesmo grupo ditatorial.


PS.: Qualquer semelhança, terá sido mera coincidência! 


Sobre o Autor: Ronald M. Enroth, é americano, sociólogo da religião, que escreveu um livro a respeito do abuso espiritual (Churches that abuse), após horas e mais horas de depoimentos de ex-membros de grupos religiosos do EUA.

sábado, 30 de agosto de 2014

Qual é a diferença entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo?


Por Michael Houdmann


O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são frequentemente confundidos. É difícil determinar quando a Bíblia está se referindo ao Arrebatamento ou à Segunda Vinda. No entanto, ao estudar as profecias bíblicas do fim dos tempos, é muito importante poder diferenciar entre os dois.

O Arrebatamento é quando Jesus Cristo retorna para remover a igreja (todos os seguidores de Cristo) da terra. O Arrebatamento é descrito em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:50-54. Os crentes que já morreram serão ressuscitados e, juntamente com os crentes que ainda vivem, vão se encontrar com o Senhor no ar. Isso acontecerá em um momento, em um piscar do olho. A Segunda Vinda é quando Jesus retorna para derrotar o anticristo, destruir o mal e estabelecer o seu Reino Milenar. A Segunda Vinda é descrita em Apocalipse 19:11-16.

As diferenças importantes entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são:

(1) No Arrebatamento, os crentes vão se encontrar com o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:17). Na Segunda Vinda, os crentes vão retornar com o Senhor à terra (Apocalipse 19:14).

(2) A Segunda Vinda ocorre depois do grande e horrível período da Tribulação (Apocalipse capítulos 6-19). O arrebatamento ocorre antes da Tribulação (1 Tessalonicenses 5:9; Apocalipse 3:10).

(3) O Arrebatamento é a remoção dos crentes da terra como um ato de libertação (1 Tessalonicenses 4:13-17; 5:9). A Segunda Vinda inclui a remoção dos incrédulos como um ato de julgamento (Mateus 24:40-41).

(4) O Arrebatamento vai ser “secreto” e instantâneo (1 Coríntios 15:50-54). A Segunda Vinda vai ser visível a todos (Apocalipse 1:7; Mateus 24:29-30).

(5) A Segunda Vinda de Cristo não vai ocorrer até depois de certos eventos dos fins dos tempos acontecerem (2 Tessalonicenses 2:4; Mateus 24:15-30; Apocalipse capítulos 6-18). O Arrebatamento é iminente, pode acontecer a qualquer momento (Tito 2:13; 1 Tessalonicenses 4:13-18; 1 Coríntios 15:50-54).

Por que é importante manter o Arrebatamento e a Segunda Vinda distintos?

(1) Se o Arrebatamento e a Segunda Vinda são o mesmo evento, os crentes teriam que passar pela Tribulação (1 Tessalonicenses 5:9; Apocalipse 3:10).

(2) Se o Arrebatamento e a Segunda Vinda são o mesmo evento, o retorno de Cristo não é iminente... há várias coisas que precisam acontecer antes do Seu retorno (Mateus 24:4-30).

(3) Ao descrever o período da Tribulação, Apocalipse capítulos 6-19 em nenhum lugar menciona a igreja. Durante a Tribulação — também chamada de “tempo de angústia para Jacó” (Jeremias 30:7) — Deus vai voltar a sua atenção principal à nação de Israel (Romanos 11:17-31).

O Arrebatamento e a Segunda Vinda são semelhantes mas eventos separados. Os dois envolvem Jesus retornando. Os dois são eventos do fim dos tempos. No entanto, é crucialmente importante reconhecer as diferenças. Em resumo, o Arrebatamento é o retorno de Cristo às nuvens para remover os crentes da terra antes do tempo da ira de Deus. A Segunda Vinda é o retorno de Cristo à terra para dar um fim ao período da Tribulação e derrotar o anticristo e seu império mundial diabólico.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Jesus é a chave Hermenêutica!


Por HP

"Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e elas mesmas são as que dão testemunho de mim;" (João 5.39)

Confesso que já defendi muito a Bíblia das "algumas dificuldades" que você expôs. Mas parei. 


Sabe porquê? Porque a Bíblia para mim tem uma função: Me apresentar, me explicar, me ajudar a compreender Jesus Cristo. E essa função ela faz com primazia.
E ainda assim, a Bíblia apenas relata PARTE do que Cristo fez:


"Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém." (João 21:25)

Sim, Jesus Cristo, o Evangelho é maior do que a Bíblia.
 
Dizer isto parece que estou sendo herege, mas não. Estou apenas dizendo que Jesus cumpre a Bíblia, mas é maior do que a Bíblia. As páginas da Bíblia não restringem Jesus, mas me faz compreender Jesus.

E uma vez que o Evangelho se implanta em nós, Cristo vive em nós. Ele reina sobre nós. Seus ensinamentos, seu modo de tratar ao próximo, seu amor pelo ser humano nos faz crescer Nele.

Daí a Bíblia inteira se transforma numa leitura agradável pois em todos os momentos eu vejo com Jesus o que é e sem Jesus como era. Vejo que Ele tudo cumpriu, e os textos de 4 mil anos se tornam atuais, pois me vejo nos personagens no Velho Testamento como eu era antes de conhecer a Cristo!

Daí eu não me atenho a idade de Acazias, as diferenças de genealogias de Jesus em Mateus e Lucas, e outros "pontos difíceis" (como alguns teólogos mais cuidadosos cuidam desses erros rsrs) nem vou na defesa dos originais, pelo simples motivo que não há como defender o que não existe mais.

O que me importa é Aquele que É desde antes da fundação do mundo, e que por Ele tudo que existe, subsiste: Jesus.

É assim que creio. No Cristo que "muitas outras coisas fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem."

domingo, 24 de agosto de 2014

Entrevistando os ministros do Evangelho de Cristo


Por Douglas Pereira da Silva

Introdução

Vivemos um cristianismo cada vez mais deficiente e obscuro em nossas igrejas, pois muitas heresias – principalmente o humanismo - passaram a fazer parte majoritariamente das mensagens e pregações, e também, em muitos dos ditos “louvores” do estilo gospel, em detrimento a pregação cristocêntrica e biblicocêntrica. Prega-se mais o bem estar e satisfação pessoal, e menos ainda o arrependimento, a conversão e a santificação; sem a qual ninguém vera a Deus (Hb 12.14).
Tal discrepância e negligência são apontadas – principalmente - pela falta de preparo e qualificação dos ministros desta geração, na formação bíblica teológica, o qual deve ser um dos pré-requisitos – além de uma vida de comunhão e santificação - na vida do obreiro de Cristo, afim de que se tenha uma igreja preparada para cumprir o seu propósito e também haja um espaço de saúde.
Todavia, reconhecemos que parte deste fenômeno, faz parte também, do cumprimento das profecias bíblicas no que diz respeito à apostasia dos últimos dias (I Tm 4), e no surgimento dos falsos mestres que pregam heresias destruidoras, (II Pe 2).
Contudo, nosso objetivo aqui não é de aprofundarmos nestas questões importantes, apresentadas acima. Se desejar aprofundar-se, poderá obter maiores informações e estudar minuciosamente sobre o assunto, com auxilio das obras do pr. Ciro Sanches Zibordi, especificamente, nos livros “Erros que os pregadores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria” e “Erros escatológicos que os pregadores devem evitar”, bem como obter dicas de um crescimento saudável no corpo de Cristo, no excelente trabalho do professor Jairo Cavalcanti Ávila, “Igreja, Espaço de Saúde”. Há também, excelentes artigos nos blogs dos irmãos HP e Carlos Trapp, tratando destes assuntos e muitos outros.
Portanto, a entrevista concedida pelos diletos ministros da palavra de Deus para confecção deste trabalho, procura – não de forma absoluta e exaustiva, obviamente – mostrar de forma sucinta, e positiva, as histórias das experiências ministeriais vividas por estes valorosos soldados de Cristo, que priorizam o evangelho genuíno, batalhando pela fé que uma vez foi dada aos santos. Certamente, temos muito que aprender com os servos do Senhor, pelo compromisso que eles têm com o reino de Deus e, seus testemunhos de vida, que são dignos de exemplo para nós, e sinônimo, de temor e adoração ao Eterno Deus.
O objetivo desejado, é que este trabalho e os depoimentos nele constantes, edifiquem a fé e a vida espiritual dos queridos irmãos, que, de alguma forma, terão acesso a este manuscrito.

A entrevista

A entrevista foi composta por 10 perguntas elaboradas por mim, e foram baseadas nos assuntos abordados, e, ensinados pelo professor Jairo Cavalcante Ávila, durante o 2° semestre do ano de 2013, no 1° semestre da disciplina de Pastoralia do curso de Bacharelado em Teologia.
O critério adotado para organização das respostas, quanto sua classificação posicional neste trabalho, foi justamente a ordem de chegada da pesquisa que foi enviada para cada um destes servos de Deus, que pronta e gentilmente, responderam-me afetuosamente, com muita presteza e cordial consideração.
           
Os entrevistados

Os servos de Deus, quais tive a oportunidade e privilégio de entrevistar, foram escolhidos em razão de serem grande influência e exemplo para a minha formação acadêmica, e também ministerial; por suas virtudes e o serviço que empregam no reino de Deus.
Irmão HP, é ministro bivocacionado do evangelho, e exerce o cargo de cooperador da Congregação Cristã no Brasil – a mesma denominação que frequento. Conselheiro e dedicado na oração, mantém na internet um blog pessoal para compartilhar suas experiências e divulgar as riquezas do evangelho da graça, além de ser autor de muitos artigos cristãos. Atualmente está fazendo residência em (XXXXX), juntamente com sua família. Esta atendendo diligentemente a obra de Deus neste país.
Irmão Adiel Souza Tolentino, é pastor batista, professor, teólogo, conferencista, mestre em filosofia, missionário, discipulador e dedicado pregador do evangelho. Tem sólida experiência no campo evangelístico e viaja anualmente em missão na obra de Deus, para a região norte do Brasil; pregando o evangelho em comunidades carentes, e, povoados indígenas, faz o trabalho de distribuição gratuita dos exemplares da Bíblia Sagrada e implanta novas igrejas. Ministra cursos e palestras para a qualificação de futuros pastores e obreiros. É o autor do famoso estudo “Uma autoridade absoluta e infalível”. Atualmente é professor titular da FATBOA – Faculdade Teológica Batista de Osasco e Adjacências – lecionando as disciplinas de “Teologia Sistemática” e “Religiões e Seitas” nesta instituição.
Irmão Carlos Osmar Trapp, é pastor batista bivocacionado, teólogo, ministro do evangelho, conselheiro, escritor e jornalista de muito prestigio no meio cristão, e também secular. Editor responsável pelo Jornal: “O Cidadão Evangélico”. Autor de dois livros consagrados, mantém na internet um blog para divulgação do evangelho, aconselhamentos, conscientização politica e cidadania. É um servo de Deus de muita influencia no meio político, que luta pela defesa da família tradicional nos moldes bíblicos e apoio as causas sociais. Serve a Deus diligentemente no estado de Mato Grosso do Sul, juntamente com sua esposa.

Perguntas

Há quanto tempo você serve a Deus? Como ocorreu a sua conversão ao evangelho?

HP: Quando nasci, meus pais já eram evangélicos, pertencentes à mesma denominação que frequento até hoje. Fui batizado há 19 anos, mas a real conversão ao Evangelho se deu com o passar do tempo. Digo que de 13 anos para cá, o Evangelho foi se solidificando dentro de mim, e creio que ainda há muito a ser feito pelo Espírito Santo em mim, pois me considero muito pecador ainda.
Adiel: Sirvo ao Senhor há 41 anos. Nasci num lar evangélico. Meus pais eram missionários. Aos 12 anos de idade entendi que estava perdido, sem Cristo e sem paz. Ouvi meus pais orarem por mim certa madrugada, pedindo a Deus que movesse meu coração e iluminasse meu entendimento para que eu recebesse a Cristo, e, percebendo a seriedade e urgência dessa decisão, convidei a Jesus Cristo para ser o meu Salvador e Senhor pessoal. Isto aconteceu no dia 12 de setembro de 1972.
Carlos: Fui educado num lar evangélico, mas minha conversão se deu por volta dos 16 anos (talvez em 1975), ao ler um livro do missionário alemão, Werner Heukelbach, chamado Glücklich wehr Vergebung Fand, ou seja, Feliz aquele que achou perdão. Isso aconteceu sozinho na casa dos meus pais, no interior do Paraná, no município de Santa Helena.

Como ocorreu o seu chamado para o ministério? Você vivenciou alguma experiência, ou teve algum tipo de sinal divino que confirmasse o seu chamado?

HP: Desde criança me chamava à atenção a posição ministerial. Confesso que não entendia o significado, apenas achava bonito por fora. Quando fui apresentado Cooperador de Jovens há 7 anos, ainda não compreendia o significado do ministério, a missão que existe por trás. Hoje me sinto confirmado ao ministério pelo amor que sinto em pregar o Evangelho de Cristo às almas.
Adiel: Desde que recebi a Cristo como meu Salvador e Senhor, imediatamente senti necessidade de testemunhar de Cristo para outras pessoas. E o fiz. Mas, foi a vida e experiências vivenciadas por meu pai que começaram a mexer comigo. Eu viajava com ele evangelizando os ribeirinhos amazonenses. Pouco a pouco fui tendo oportunidades de aprender mais da Bíblia, e um anseio imenso tomava conta do meu coração. Cada passagem bíblica no tocando a missões e ao ministério pastoral me desafiava, mas eu não falava ainda disso pra ninguém. Fui batizado por meu pai, em dezembro de 1972. Já em 1978, quando eu estava terminando o ensino médio, os membros da Igreja Batista em Coari - igreja da qual eu era membro - começaram a me chamar de "pastorzinho". Vários irmãos me perguntavam se eu tinha vontade de ser pastor, e eu dizia sempre que isso dependia de Deus. Aos poucos, a igreja foi percebendo em mim a vocação para o ministério, até que um dia meu pai me chamou e perguntou se eu sentia esse desejo em meu coração. Eu respondi que sim. Ele, então, comunicou à Igreja, e a Igreja, em Assembleia, decidiu me encaminhar para o Seminário, a fim de preparar-me academicamente. 
Carlos: Esse desejo já existia quando eu tinha por volta de 10 anos e até escrevi para um seminário luterano pedindo informações, mesmo antes de ter concluído o Segundo Grau. Sempre pedi que Deus colocasse o Seu desejo no meu coração, e isso foi se confirmando através do tempo, e em 1987, ingressei no Seminário Batista de Dourados, MS.

Quais são os conteúdos, as obras e os objetivos do seu ministério?

HP: Quero apenas ser um tijolo na construção da Igreja. Nada mais do que isso e nada menos do que isto. Quero pregar o Evangelho, as Boas Novas de Cristo a todos.
Adiel: (1) Adoração - Este é objetivo primeiro, porque glorificar a Deus deve ser a prioridade máxima de todo cristão e de toda igreja. 
(2) Evangelismo e Missões - Isto está bem firme em meu coração.
(3) Discipulado - Uma grande necessidade na igreja atual é a integração dos novos crentes e o discipulado contínuo e reprodutor.
(4) Treinamento de Líderes - Embora eu entenda que isto está inserido, de certa forma, no discipulado, creio que há necessidade de separar aqueles que demonstram possuírem dons de liderança nas mais diversas áreas do ministério para que eles se aperfeiçoem e edifiquem a igreja local onde se inserem.
(5) Ação Social - Uma necessidade constante em qualquer lugar e situação, e uma ferramenta por demais importante de atrair pessoas para Cristo, além de ser a principal maneira de demonstrar amor. 
(6) Comunhão - Não é possível dizer que amamos os perdidos se não houver amor em nós. A Igreja precisa manter desenvolver a comunhão entre os seus membros.
Carlos: Já elaborei dois livros: Evangélicos em Campo Grande - Origens e Desenvolvimento (1999) e Urbieta e Sherwood - Pioneiros na obra de evangelização em terras mato-grossenses (2011). Faço o Jornal "O Cidadão Evangélico" há 15 anos. Escrevo para jornais seculares e evangélicos. Alimento, precariamente, um site - www.msevangelico.com.br - e tenho um blog - www.carlostrapp.com Os objetivos são fazer com que o povo cristão seja mais politizado, mais participativo nas questões públicas. Também me preocupo com a sã doutrina.

Em sua opinião, quais são as qualidades indispensáveis de um ministro do evangelho de Cristo?

HP: Os frutos do Espírito citados em Gálatas 5:22 são essenciais para todos os cristãos, não apenas os ministros e pastores. Mas lembremos, são frutos do ESPÍRITO, operados pelo Espírito Santo em nós, pois de nós mesmos não conseguimos alcançá-los: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Adiel: As qualidades devem ser essencialmente as traçadas por Paulo a Timóteo (I Tm. 3.1-7) e a Tito (Tt. 1.6-9). Um resumo do que creio serem características de alguém chamado por Deus para o ministério é este:
(1) Ter o reconhecimento da Igreja local;
(2) Ter uma vida irrepreensível - Sua vida deve condizer com sua mensagem.
(3) Possuir os dons ministeriais explicitados na Bíblia Sagrada;
(4) Ter vontade de servir, a aspiração ministerial.
Carlos: Deve ser convertido, preparado e, obviamente, se enquadrar em 1Tm 3.1-7 e Tt 3.1-5.

Quais são as prioridades para o seu ministério? Na sua vida pessoal, existe alguma prioridade pertinente ao ministério que você exerce?

HP: Minha prioridade no ministério é servir aos meus irmãos em Cristo. Ajudá-los a compreender a mensagem do Evangelho, o amor de Cristo para conosco.
Adiel: Sim, Missões e Evangelismo.
Carlos: Bem, eu não estou à frente da uma igreja; apenas sou membro. Eu faço um jornal há 15 anos, onde destaco a cidadania. Quero partir para a gravação de vídeos, e estou buscando recursos para aquisição de uma pequena filmadora. Também preciso fazer uma cirurgia de catarata. Eu e a esposa não temos filhos, e estamos pensando em adotar uma criança.

Quais os perigos e obstáculos que surgem em seu caminho, na vida ministerial?

HP: O maior perigo sou eu achar que posso algo sozinho. Preciso de Cristo em tudo. Nele eu posso todas as coisas, inclusive falar Dele. Sobre obstáculo, creio que são vários e vão desde trabalho material até pressão institucional da denominação que frequento. Mas creio que tudo está no controle de Deus.
Adiel: Há perigos e obstáculos constantes e recorrentes. Entre os perigos, posso citar a sedução da fama, da mulher e do dinheiro. São perigos que estão sempre à nossa volta, e tenho sido tentado muito nestas três áreas. Mas Deus tem me dado forças para vencê-los. Os obstáculos são parceiros dos perigos, pois sempre nos faltam recursos financeiros, não tenho a fama suficiente para influenciar a denominação e a esposa não tem acompanhado a contento, impossibilitando maior sucesso no ministério.
Carlos: São faltas de recursos, e falta de apoio.

Qual a sua opinião sobre o sustento ministerial, você acha que tal prática é respaldada pelas Escrituras Sagradas? Você recebe algum salário da igreja que você preside, ou algum tipo de ajuda de custo?

HP: Não vejo nenhum problema ao ministro receber salário e penso que sim, há respaldo bíblico a respeito nas cartas Paulinas, por exemplo. Todavia ressalto que o salário deveria ser apenas consequência, para sustento básico. Percebo que em muitas denominações esta situação se inverte, o salário acaba sendo o alvo, corrompendo totalmente os ministros.
Não, eu não recebo salário algum na denominação que frequento. Ajudo financeiramente nas coletas, tal qual os demais membros são ensinados.
Adiel: No momento não estou exercendo o ministério pastoral, e não recebo nada da Igreja a que sirvo. Creio que o pastor deve ser sustentado pela Igreja, de preferência integralmente. Há base bíblica para isto: "Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho". (I Co. 9.14). 
Carlos: Como já disse, não estou à frente de uma igreja. Meu sustento vem de diversas fontes: Jornal, eu e minha esposa também somos fotógrafos, e também sou jornalista. O sustento ministerial tem respaldo bíblico.

A liderança de sua igreja é qualificada biblicamente para exercer as funções ministeriais?

HP: Não. Infelizmente não.
Adiel: Creio que a minha Igreja está qualificada biblicamente em torno de 80%. 
Carlos: Sim.

Qual a sua opinião sobre o preparo de sermões e o estudo sistemático das Escrituras Sagradas? A igreja o qual você preside como ministro oferece algum tipo de preparação, como estudos seminários etc.? Se não, por quê?

HP: Em II Timóteo 3:15-17 nos é mostrado a necessidade de conhecermos as Escrituras e termos habilidade nela. Não vejo problemas em sermões serem preparados, todavia penso que devemos sempre atentar para duas coisas:
A interpretação bíblica deve ser sempre feita a partir de Jesus e dos seus ensinamentos (Atos 8:35), e
Devemos dar honra ao Espírito Santo (I Tessalonicenses 5:19), orando, clamando, buscando de Deus aquilo que deve ser exposto aos demais irmãos.
Na denominação que frequento infelizmente não há nenhuma preparação ou seminários, por razão de ser uma tradição assim recebida. Esta prática gera malefícios e benefícios. Eu particularmente acho que mais malefícios que benefícios.
Adiel: A Igreja deve preparar, nesta área, seus membros que demonstram dons de ensino e pregação. Minha Igreja tem feito isso, mas ainda com deficiência. Eu não sou o pastor titular da Igreja e não sei dizer com certeza por quais motivos a Igreja não o faz. Creio que há interesses, mas tem havido dificuldades que, de certa forma, impedem que todas as áreas da vida da igreja sejam desenvolvidas a contento.
Carlos: Os sermões devem ser preparados e se deve ter, no mínimo, um esboço dos mesmos, mas principalmente se deve viver o cristianismo, pois a Bíblia diz que quem segue Jesus não anda nas trevas, ou seja, tem sua mente iluminada pelo Espírito Santo. Os batistas têm diversos seminários teológicos espalhados pelo Brasil.

Vou recitar dez palavrinhas, e gostaria que você completasse com uma palavra ou frase que vier de imediato em sua cabeça, ok?

a)    Família:

HP: É a maior riqueza terrena.
Adiel: Essencial.
Carlos: Muito importante.

b)    Ministério:

HP: É uma dádiva, como também um aborrecimento. É uma luta sem fim, aonde há momentos bons e ruins a serem enfrentados por quem decide fazer parte do ministério.
Adiel: Vocação.
Carlos: Um privilégio.

c)    Bíblia Sagrada:

HP: É a Palavra de Deus para o homem.
Adiel: Base.
Carlos: Uma bússola.

d)    Igreja:

HP: É o corpo de Cristo, formado por todos aqueles que Nele crêem para salvação de suas almas.
Adiel: Serviço.
Carlos: Família expandida.

e)    Dons Espirituais:

HP: São frutos do Espírito Santo para ajudar na caminhada terrena.
Adiel: Edificação.
Carlos: Ferramentas para o trabalho cristão.

f)     Pecadores:

HP: Todos nós somos.
Adiel: Carência.
Carlos: Precisam de arrependimento.

g)    Batismo:

HP: O momento que publicamente anunciamos que nossa salvação depende exclusivamente de Cristo.
Adiel: Testemunho.
Carlos: Imersão, sendo testemunho do salvo.

h)   Salvação:

HP: Desde o momento que Cristo nos remiu dos pecados, Salvos fomos, Salvos somos e Salvos seremos!!!
Adiel: Graça.
Carlos: Graça imerecida.

i)     Céu:

HP: Final da tribulação humana, do poder do pecado original sobre nós. Gozo e regozijo eterno com Deus.
Adiel: Alvo.
Carlos: Eterno gozo com o Senhor.

j)      Jesus Cristo:

HP: Ah… o maior dos homens. O verdadeiro e único herói. Nunca terei como agradecê-Lo por tanta misericórdia e amor.
Adiel: Senhor.
Carlos: Meio pelo qual se chega ao céu; nosso Salvador.

Considerações Finais

A vida de um verdadeiro ministro do evangelho é muito diferente – obviamente – de quem não exerce um cargo ministerial. Isso se deve pelas responsabilidades, e com os compromissos com a obra de Deus, no selo do seu dom e chamado. Tais características foram nitidamente perceptíveis, nas respostas dadas pelos nobres irmãos entrevistados: cooperador HP, pastor Adiel e pastor Carlos Trapp.
Entretanto, suas vidas seculares não diferem muito dos que não exercem um cargo ministerial. Todos - indefinidamente - têm suas dificuldades, lutas e provações, que são as marcas de um verdadeiro discípulo Daquele que prometeu dizendo que no mundo teríamos muitas aflições (Jo 16.33b), pois não foram riquezas ou a fama que regeram suas vocações, motivações e aspirações para o exercício ministerial. Cada um com o seu diferencial, com o seu dom, buscando edificar o corpo de Cristo, a Igreja.
Enfatizamos com muito pesar, que é muito comum na Igreja, e também no meio secular, criar conjecturas e ideias pré-concebidas - pejorativamente muitas vezes - a respeito da vida pessoal, e, principalmente financeira; muitas delas inconsistentes com a verdade e com a realidade destes queridos irmãos, que foram verdadeiramente vocacionados por Cristo para serem o anjo da Igreja.
Todavia, reconheço que tais ideias e conjecturas, são ocasionadas muitas vezes, por este “evangelho” maltrapilho, antropocêntrico e humanista que é divulgado e comercializado, apenas com o objetivo de massagear o ego das pessoas. Infelizmente há uma indevida projeção generalizante do caráter e da conduta destes pregadores, que mais se parecem com animadores de auditório, trazendo assim, grandes prejuízos ao santo evangelho.
Contudo, este trabalho propôs – ainda que parcialmente – desmistificar estas conclusões inconiventes, que não estão respaldadas pela realidade que é firmada com a verdade, pois demonstrado foi, pela vida e história destes irmãos que cederam seus depoimentos, exemplos de boa conduta ministerial e secular, exalando o cheiro do bom testemunho, que contagia e influência positivamente toda a comunidade – assim como aconteceu com o autor deste trabalho.
Façamos então um clamor, para que haja mais servos de Deus no ministério com os mesmos ideais dos nossos amados irmãos entrevistados, para que se tenha um avivamento Bíblico no seio das Igrejas, e principalmente nas lideranças, conscientizando-os da necessidade de uma adequada preparação Bíblica Teológica, para um eficiente exercício das funções ministeriais; prevalecendo a primazia do evangelho puro e cristalino, conforme nos foi outorgado pelo Senhor Jesus Cristo. Entretanto, esta perspectiva deve consistir - principalmente -, na crença das fiéis promessas de nosso Senhor que nos prometeu que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16.18).
Portanto, a palavra de Deus permanece firme para sempre, pela esperança daqueles que ainda não nasceram, para que encontrem uma igreja melhor.