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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Os sete espíritos piores


Por Douglas Pereira da Silva

APDD, irmão Douglas. Uma pergunta: É verdade que quando uma pessoa comete pecado sexual, ela é tomada por sete espíritos ou, pelo menos, por algum espírito do mal e este fica nela?

Caro(a) anônimo(a), decidi elaborar este post para responder a sua pergunta, tendo em vista que se trata de um assunto que gera muitas duvidas no coração de nossos irmãos, que estão, de certa forma, habituados em ouvir este estranho ensino (ensino?) nas pregações (pregações?) durante o culto.

Os incautos que pregam e ensinam esta doutrina (doutrina?) são dignos de descrédito, pois demonstram plena desqualificação para exercer o oficio ministerial, por não manejar bem a palavra da verdade que é uma das atribuições para o obreiro de Deus (II Timóteo 2.15).

Outra questão: por que só o pecado sexual é enfatizado? A mentira deixou de ser pecado? A glutonaria? A inveja? A maledicência? Não são mais pecados?

Ora, se analisarmos corretamente os versos de I Coríntios 6.10-11 e Apocalipse 22.15, concluí-se que o pecado sexual - seja adultério ou fornicação - esta no mesmo nível dos idólatras, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, roubadores, feiticeiros, assassinos e todo aquele que ama e pratica a mentira.

O apostolo Tiago enfatizou muito bem isso em sua carta, ao explicar que o simples fato de fazermos acepção de pessoas já é um grave pecado passível de condenação pela lei (Tiago 2.9). Para Deus não existe a classificação de pecados veniais e pecados mortais, tal como a apostata Igreja de Roma ensina e, infelizmente, a CCB também; "pois se tropeçarmos em um só ponto, seremos culpados de todos os outros" (Tiago 2.10), isto é, um simples "pecadinho" de mentirinha ofende a Santidade Eterna de Deus, tanto quanto um pecado escandaloso como o adultério!

Outro fator que quero destacar, é que, estão redondamente  enganados àqueles que pensam que o pecado de adultério só é consumado no contato físico dos transgressores! O Senhor Jesus ensinou, que o simples fato de cobiçar já é um adultério no coração! Observe que Jesus, igualou no mesmo nível o contato físico com o simples ato de pensar, dizendo: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mateus 5.27-28).

Além disso, o fato de alguém "apenas" odiar o seu irmão, é considerado um assassino, portanto, comete pecado de homicídio (I João 3.15).

Amado(a) Anônimo(a), tudo isso foi para demonstrar que não existe o tal de "falhas" (pecadinhos pequenininhos) e pecado, conforme os neófitos e desavisados tem a mania de orar nos cultos: "Senhor, perdoa as nossas faltas..."

Vamos agora, analisar exegeticamente o texto Bíblico que, pela má compreensão, tem gerado esta heresia, causando terríveis prejuízos para o cristianismo Bíblico, e para o evangelho da Graça de Deus:


"E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má". (Mateus 12.43-45)

Caro(a) Anônimo(a), os versos em apreços não estão falando de crentes que cometeram pecados sexuais, conforme você pontuou em sua pergunta. A grande sacada aqui, é perguntar para a passagem porque Jesus disse isso, para quem Ele disse, o que motivou a dizer estas palavras, quais eram as circunstancias, quem eram os seus ouvintes, qual era o contexto etc, perguntas que são facilmente respondidas pelo próprio contexto de Mateus 12.

Um crente, mesmo cometendo pecados - seja lá de qual natureza for - não pode ser possuído por demônios, pois ele já é habitado pelo Espírito Santo de Deus, que não sai do crente e nem dá lugar para que algum demônio venha possuí-lo, isto é, o mesmo não é uma casa desocupada conforme diz o verso 44. O crente possui a nova vida que vem de Deus, que é imune a um ataque direto de Satanás: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca" (I João 5.18). Um crente pode ser influenciado ou enganado pelo Diabo, mas não possuído.

Talvez, as objeções recaiam nas passagens em que o Espirito de Deus abandona o rei Saul, e este passa a ser atormentado por um espirito maligno (I Samuel 16.14-23), e no caso de Davi, em que pede a Deus para não retirar o seu Santo Espirito, na ocasião em que confessava o seu pecado de adultério com Bate Seba (Salmos 51.11).

Todavia, é salutar entendermos que estes dois personagens aludidos - Saul e Davi - estavam vivendo no advento da LEI, e não da GRAÇA.

Durante o advento  da LEI, o Espirito Santo não exercia o seu ministério de forma plena como acontece no advento da GRAÇA - o qual vivemos hoje.

O crente é morada do Espirito Santo, mas não é por causa de suas obras ou méritos próprios, mas sim por causa da obra redentora do Senhor Jesus. Hoje, neste advento, o Espirito Santo exerce o seu ministério de forma plena, por causa de Jesus (João 16.5-15).

Se dependesse de nossas obras e nossos "méritos" para sermos morada do Espirito de Deus, toda a humanidade estaria perdida agora! Pois ninguém pode por si próprio, justificar-se diante de Deus com as suas obras; nem mesmo as estrelas do céu são puras aos Seus Olhos (Jó 25).

Outra informação de grande relevância em nossa analise exegética, esta na parte b do verso 45. Observe: "Assim acontecerá também a esta geração má".

Portanto, esta mais claro que a luz do dia que Jesus está falando de Israel, e não de crente que caiu em pecado! É nítido isto, na enfase "esta geração" no texto, cujo estado ficou pior do que estava com a rejeição de Jesus. Veja no último versículo que Jesus não está falando de uma pessoa, mas é uma parábola falando da geração de judeus incrédulos que um pouco antes afirmou que ele fazia os milagres pelo poder de Belzebu. Lembre-se de que o Senhor falou por parábolas muitas vezes.

Vamos agora, analisar uma pequena parte do contexto desta passagem, para confirmar que se refere a Israel, e não de crentes que cometeram pecados sexuais:

(Mateus 12.41-45) "Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. A rainha do meio-dia se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão. E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má".

Entendeu? 

Jesus estava falando com àquela GERAÇÃO

Ora, sejamos honestos com o texto Bíblico - pelo amor de Deus - a fim de não cometermos o vitupério - para não dizer sacrilégio - de atribuir significados que nem mesmo Cristo pretendia dizer! Tão pouco encontramos tal bizarrice doutrinária em toda a Bíblia Sagrada, em seus 66 livros!

Em momento algum no relato Bíblico, Jesus falou: "Assim vai acontecer com todos os crentes, de todas as épocas e gerações que foram batizados na CCB - ou quaisquer denominação religiosa - se os tais cometerem pecados de natureza sexual"


Vamos à explicação correta de Mateus 12.41-45:

Quando os judeus mergulharam na idolatria, Deus enviou um remédio na forma da invasão babilônica. Eles foram levados cativos e depois um remanescente fiel voltou à terra, curado de sua idolatria. Era como se o espírito mau tivesse saído do homem. Mas a partir daí eles se tornaram uma casa vazia, limpa e arrumada, que não quis receber o Senhor, ficando assim vulneráveis para que aquele espírito desterrado leve consigo "sete espíritos piores que ele", e o estado daquele povo ficará pior do que no início.

Quando lemos a parábola do Senhor da vinha, percebemos que aquela geração que viveu na época de Jesus sabia exatamente que estava rejeitando seu Messias e o entregando à morte. Pelo menos é o que dá a entender quando os trabalhadores da parábola dizem: "Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, para que a herança seja nossa" (Lucas 20.14)As palavras do Senhor na cruz, "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" em Lucas 23.34 podem tanto se referir aos soldados romanos que executaram a pena, como também aos judeus que ignoravam as consequências de seu ato.

Em I Pedro 5.8-9 diz que "o diabo anda em redor buscando tragar", mas não diz que consegue mais do que matar o corpo - como o Senhor ensinou nos evangelhos (Mateus 10.28). O crente, em momento de fraqueza por causa de sua carne e velha natureza pode ceder às tentações e ser influenciado pelos espíritos malignos, mais jamais ser possuído! 

Quanto a Judas, em quem o evangelho diz que o diabo entrou nele (Lucas 22.3), ele nunca foi salvo. Era apenas um seguidor, apenas um professo como muitos que hoje enchem as igrejas com a Bíblia debaixo do braço, porém estão ali com outros interesses, alguns muito parecidos com o interesse de Judas:  O dinheiro (João 12.4-6; Mateus 26.14-16).

Destarte, este humilde blogueiro conclui que Mateus 12.43-45, não esta falando de crente que caiu em pecado, conforme demonstrado em nossa analise!

Caso a passagem estivesse aludindo a crentes que pecaram, Jesus teria mentido em João 10.27-30, e nossa fé seria vã! O Espirito Santo não deixa de habitar no crente, o qual Deus começou a boa obra (Filipenses 1.6).

Outra, em toda a Bíblia Sagrada, não temos sequer um único exemplo de algum crente que tenha caído em pecado, e logo depois ter sido possuído por algum espírito maligno, ou sete espíritos piores.

Quanto aos pecados que o crente comete, ou podem cometer em sua jornada terrena, sugiro a leitura do artigo "O pecado na vida do crente".


Prezado(a) Anônimo(a), espero assim, ter lhe ajudado sanando esta duvida, aproveitando também, a oportunidade para refutar mais esta heresia em nosso meio!

Que Deus te Abençoe!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sobre as "panelinhas na igreja"


Por André de Oliveira

Somos seres sociais, necessitamos do convívio em grupo. A formação de um grupo se dá pelas afinidades, gostos, idade, condições socioeconômicas, enfim, pelo compartilhamento de algo em comum. Na igreja, como um agrupamento de pessoas, nada mais normal que haja grupos, mas o problema está quando grupos demasiadamente coesos "panelinhas" criam condições para exclusão de outros irmãos.

As panelinhas não abrem espaço aos novos, o que me faz remeter ao autor Norbert Elias, em seu livro "Os estabelecidos e os Outsiders" que mostra claramente essa problemática, em seu livro uma comunidade de estabelecidos (moradores há gerações na localidade) estigmatizam um grupo de Outsiders (recentes moradores). Elias concentra esforços em compreender a psicologia desses atores sociais. Pois bem, abrindo mão do sociólogo e rumando para nosso maior referencial, Jesus Cristo, que resumiu todos os mandamentos em um só "Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” (Jo 13:34). Nesse versículo, Jesus deixa claro a importância do amor, tarefa difícil, mas fundamental na peregrinação do cristão, buscar à cada dia um amor sublime por seus semelhantes, da mesma forma entre irmãos, na igreja, onde devemos ser um só corpo, unidos, amando nosso irmão, como Cristo nos amou.

Como cristãos devemos fugir das panelinhas, não criar barreiras aos novos, pelo contrário, acolher os novos irmãos, para que não sejam acolhidos pelo mundo, na igreja, embora todos tenham suas particularidades e diferenças, devemos pensar como uma unidade, como Paulo exorta aos Gálatas: "Não pode haver judeu nem grego; escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3:28). Quão doloroso é vermos jovens cristãos fracos, sem vontade alguma de congregar, porque são rejeitados pelas panelinhas.

Também acerca das consequências das panelinhas, está a condenação das pessoas não cristãs, quantos que vão visitar uma nova igreja e não são bem recebidos, entristecem e nunca mais voltam? Tamanha é a responsabilidade de criar na igreja um ambiente afetuoso, receptivo e que sobre amor.

Que não haja divisões dentro de nossas igrejas como houve na Igreja de Corinto, aos quais Paulo exorta: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer." (1 Cor 1:10), mais adiante (1 Cor 3:1-3), Paulo refere-se aos Coríntios como carnais e crianças espiritualmente.

Não sou utópico em pensar que abriremos mãos de nossos gostos, particularidades e teremos uma afinidade da mesma forma com todos à nossa volta, até mesmo os apóstolos Pedro, Tiago e João, possuíam afinidades entre si, os três eram pescadores, cresceram no mesmo meio social, tinham a mesma linguagem, cultura, mas isso não os deu direito de excluírem os demais apóstolos, Jesus tinha uma relação igual com todos, mesmo cada um possuindo uma identidade distinta

Por fim, pensemos, será que Jesus aprovaria a divisão da igreja em pequenos grupos que segrega, exclui e menospreza àqueles que não são aceitos? Devemos fazer parte de uma igreja, ter comunhão entre os irmãos, não só porque é uma exigência das Escrituras, mas porque lá louvaremos a Deus, e isso é o mais importante de tudo, mas quão bom é um igreja que nos faz sentir felizes e amados...

Em relação aos "rejeitados" pelas panelinhas, buscai conforto em Cristo, que com certeza os aliviará, não olhemos para o que já foi, mas prossigamos para o alvo, mantendo-nos firmes até o dia em que dormiremos e ouviremos o soar da trombeta, e viveremos com Cristo eternamente em seu Reino de Glória.

Ainda, cabe a todos nós orarmos a Deus e pedirmos maturidade para aceitarmos nosso irmão, tratar um ao outro com amor e que possamos seguir o ensinamento de Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13:35).

Sobre o autor: André de Oliveira é cristão bereiano, mestre em Agronomia, membro da CCB e ilustre colaborador adjunto do blog Teologando.