Google+ Followers

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A quem Jesus chamou de impio?


Por Regina Farias

O que Jesus pensou quando leu o Salmo 1?

Como foi que Jesus encarnou isso?
Como ele viveu isso?

Sim, pois dizer que “o verbo se fez carne” significa que tudo que havia sido verbalizado como inspiração divina antes, foi encarnado em Jesus de Nazaré. E, lendo o salmo 1 a partir de Jesus, as perspectivas mudam, pois Ele passa a ser a chave que nos abre todos os tesouros.
Ora, ímpio (oposto de pio) é todo ser que não é capaz de exercer misericórdia.
E mais: essa estrutura ímpia está instalada nas associações religiosas. Irônica e contraditoriamente, os das tais associações acham que o ímpio é o que não segue a sua formação religiosa, que o ímpio é o que não está no seu meio. Esse achismo já impede estes de exercerem misericórdia, pois há uma confusão instalada em suas mentes, afirmando-lhes que piedade é um esforço religioso de se comportar adequadamente. Adquirindo para si uma presunção de juízo, endurecendo-se, dando-se poder de determinar quem é ímpio pela aparência, pelas visualizações, pelo não pertencimento ao grupo enquanto, na verdade, a piedade se manifesta como exercício de misericórdia.

Na perspectiva religiosa, esse é o ímpio. O religioso torna-se moralista e, consequentemente, desprovido de capacidade de reconsiderar qualquer coisa. Cheio de juízo, acha que ímpio é quem não aceita nem segue rigorosamente sua confissão de fé.
Enfim, etimologicamente, o ímpio é aquele que é mau, que tem rigidez mas sem qualquer densidade dentro de si, que é sistemático, não volta atrás, fecha questões, não pensa diferente, suas certezas são totais; então segue adiante, gelado, esfolando, arrebentando.
Do ponto de vista histórico, como Jesus fez essa aplicação?
Como ele viveu? Quem Jesus chamou de ímpio?
Quem era o ímpio nos tempos de Jesus? Seria Zaqueu? Seria Maria Madalena? A resposta é NÃO.
A quem ele chamou de escarnecedor, de ímpio? Ao fariseu.
Onde você não vê Jesus nunca e qual a principal roda dos escarnecedores? O templo.
É no templo que eles estão. Usando descaradamente o nome de Deus, falando a mentira em nome da verdade de Deus, manipulando o nome de Deus com aquela cara lavada, toda bonitinha, toda certinha, toda arrumada, toda enquadradinha. Sua impiedade é gradativa e praticamente imperceptível; impiedade que envenena com mil disfarces. A impiedade escrachada não traz grandes perigos; esta sim, é a que mata, a que nos envenena sutilmente com todas as formatações do suposto bom conselho. Conselho que não carrega vida, não carrega reconciliações, não carrega graça, nem misericórdia, nem oportunidades; só morte e finalizações. Isso é que é falsificação da palavra de Deus.

Nesse agrupamento JESUS nunca se assentou. Ele só foi lá amarrado. Para ser julgado. Ele preferiu morrer entre dois ladrões a se assentar entre aquela curriola divina que se exalta declarando para si mesmo uma não-pecabilidade, batendo no peito e dizendo: "graças dou por não ser como os demais..."

E onde você O vê?
Você O vê nas esquinas, nas praças, no caminho, nos bares, nas noites, nos jantares, nas celebrações, nos casamentos, dando atenção a quem ninguém dava, incluindo quem estava fora, chamando pelo nome aqueles a quem não eram nomeados, socorrendo problemas do tipo “não pode acabar o vinho”.
Portanto, cuidado com as certezas dos seus conselheiros.Toma cuidado pra ver onde é que você está recebendo informações a partir das quais você alimenta sua vida. Veja se elas são fruto da misericórdia, da graça, do amor e da justiça ou se elas são produzidas pelo juízo, pelo julgamento precipitado, pela atitude de esmagamento do outro e pela incapacidade de jamais voltar atrás.
Ou seja,

Cuidado com conselheiros cheios de certezas prontas e acabadas, pois a misericórdia sempre deixa uma porta aberta. Ainda que seja pra você escapar. Uma porta estreita, apertada, que o livrará do embaraço, do problema, da aflição, da angústia, da culpa, da dor.
Bem aventurado o homem que não anda no conselho de quem não tem coração, daquele que não tem misericórdia. Pois o pior escárnio é a indiferença ante a verdade de Deus.

Para o bem aventurado o prazer está na lei do Senhor.
A lei do Senhor, para Jesus, é a GRAÇA.

Jesus nos chama para dentro de critérios imponderáveis da verdade, da justiça, do amor e da misericórdia. Em vez de aprovar o religioso certinho que cumpria regras, Jesus deu preferência àqueles que eram reprovados, invertendo parâmetros e lógicas, subvertendo aquela ordem estabelecida pela tradição religiosa transmitida pelos líderes que invalidaram a Palavra de Deus.(Marcos 7)
E, esse chamado, não é algo que se sente e também não está escrito em algum lugar. Você é tocado por ele. Isso tem a ver com entendimento que é fruto de uma consciência que está grávida de outros valores; que abre pacotes, que pergunta pela misericórdia ao final de cada coisa, que não deixa o sol se pôr sobre a ira, ou seja, não deixa o dia cair e a noite abraçar você e te ninar com amarguras. (Ele não diz para não se irar, mas para não permitir que o ocaso daquele sentimento se congele, dando lugar ao diabo).

E na Sua lei medita de dia e de noite...
Sem ter hora nem lugar para meditar pois meditação é a vida. Ai daquele que precisa de tempo e local para meditar. Meditar é existir. Existir conforme a lei da graça e não de cartilha religiosa.

Aliás, se a nossa salvação dependesse da síntese dos mandamentos estaríamos falidos. "Na lei da lei estou perdido. Na lei da graça eu estou salvo".
Aceitando a graça como lei é que somos salvos. Salvos de nós mesmos para sermos graciosos com o outro. Fazendo manutenção da graça em permanente estado de perdão, à medida que a praticamos no cotidiano com o outro. Está conquistado! Em Cristo, a gente sai liberado. Ele nos tira dos tribunais e nos traz para a consciência que nos diz: quer perdão, perdoa; quer graça, seja gracioso; quer misericórdia, seja misericordioso; quer ser compreendido, entenda. Esse é o SER que está andando debaixo da lei de Deus. Para este há ressurreição. Ainda que morto entre dois ladrões. Pois a Graça foi conquistada por Jesus na Cruz pra mim para sempre; sou chamada com convicções reforçadas, a aplicar tal manutenção junto ao meu próximo na qual recebendo favor infinitamente imerecido, fazer favor infinitamente imerecido. Esta é a lei do caminho e bem aventurado quem transforma isso, não em compreensão intelectual, mas num estado de ser.

Peçamos a Deus:
Senhor, constrói dentro de mim um ser sólido, não rígido; constrói algo denso, não pedrado; constrói em mim verdade, não moralismo; algo que esteja além da minha compreensão  e que eu não precise explicar por saber que é verdade.

Amém!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O Pecado na Vida do Crente


Por Calvin Gardner

O pecado que o crente tem é ligado a ele por ele viver no mundo (I João 2:16) e ter o pecado ainda nos seus membros (Rom 7:23). Enquanto o crente está na carne, terá o problema do pecado (Mat. 26:41; "... o espírito está pronto, mas a carne é fraca."). Se não tivesse a possibilidade do crente ser influenciado pelo pecado, Davi não teria orado: "Expurga-me tu dos que me são ocultos." (Sal 19:12; 119:133) e nem teria dito: "O meu pecado está sempre diante de mim" (Sal 51:3). Jesus também não teria orado ao Pai que "os livres do mal" (João 17:15). Paulo tinha uma luta constante que o provocou a lamentar: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?"(Rom 7:24). 

É fato bíblico que o crente peca (Prov. 20:9; Ecl. 7:20) pois ele é fraco pela carne (João 3:6, "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito."). Tanto a realidade da presença do pecado na vida do crente quanto a nova natureza é vista claramente na doutrina da santificação que envolve a correção de Deus (Heb 12:5-13). Se não houvesse pecado na vida do crente, nunca haveria a correção. Se alguém que se acha crente não conhece a mão pesada de Deus que corrige seus filhos, levando-os para serem "participantes da Sua santidade" (Heb 12:10), esse tal não tem razão nenhuma de se achar salvo. 
Mesmo que haja a capacidade de pecar, o crente é responsável por não pecar (I Ped 1:15, "sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver"; I João 2:1; "estas coisas vos escrevo para que não pequeis"). A possibilidade de pecar nunca é razão de desculpar a ação do pecado, mas uma forte razão de vigiar (Mat. 26:41) para que não entreis em tentação. 
É verdade que quem está salvo, e quem tem essa nova natureza feita por Deus em Cristo, tem uma luta com o pecado (Gal 5:17; "e estes opõem-se um ao outro"; Rom 7:23; "que batalha contra a lei do meu entendimento"). Antes de ser Cristão, o salvo não tinha forças nenhumas para dominar o pecado (Rom 8:8). Em Cristo, o Cristão, por Cristo, tem o que é necessário para dominar o pecado (Mat. 26:41; Fil. 4:13; I João 4:4). 
Por causa da confusão que existe sobre este assunto e as dúvidas que Satanás pode trazer à mente do pecador e ao crente, seria proveitoso estudar o que acontece e o que não acontece quando o crente peca. 

Parte - I 
O QUE NÃO ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA? 

O Crente Não Cessa de Ser Filho de Deus
Por Deus somos nascidos de novo. Deus usa a terminologia "filhos" para mostrar o relacionamento especial que ele tem com os Seus pelo novo nascimento. A Bíblia, usando o termo "filho" (Rom 8:14-17), revela a realidade do novo nascimento espiritual que mostra a impossibilidade de quebrar os laços permanentes que Deus tem com os seus. Será que existe a possibilidade de alguém fazer destes "des-nascidos"? 
Esse relacionamento de "filho", olhado de outro aspecto, é chamado adoção. É um ato judicial, que é realizado na parte de Deus, (Gal 4:4-7), por Jesus Cristo e a obra do Espírito Santo, com aquele que era filho "da desobediência" (Efés 2:2). Esse ato mostra como o crente é feito em uma "nova criatura", (II Cor 5:17), pois este é mudado para uma família nova, com uma natureza nova. Será que uma criação de Deus pode ser desfeita? 
O crente é nascido de novo pelo Espírito de Deus, (João 3:3-8) através da semente incorruptível (a Palavra de Deus, I Ped 1:23) que permanece "para sempre". Quando cessa a incorruptibilidade? 
Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não desfaça a condição de ser ele um filho de Deus. O crente que peca tem quebrada a comunhão com Deus. Nunca devemos pensar que Deus coopera ou que tem uma coexistência com o pecado. A Bíblia mostra claramente que "Não há santo como o Senhor é santo" (I Sam 2:2). Pela inspiração do Espírito Santo, a Bíblia estabelece que "Deus é luz e não há nEle trevas nenhumas" (I João 1:5). Amós faz aos filhos desobedientes de Deus, o Israel, uma pergunta que convém ainda hoje: "Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3). O filho pródigo, mesmo no pecado continuou sendo o filho do pai, mas por causa do seu orgulho, era desobediente e, nessa condição, não andava com o pai (Luc 15:11-32). 
A comunhão quebrada, muitas vezes, é a correção de Deus com Seus filhos. Não é a salvação que termina, mas a "alegria" da salvação que é removida (Sal 51:1, 10-12). Existem varias manifestações desta quebra de comunhão: pode ser percebida pela falta de vitória espiritual (Prov. 28:13; II Tess 5:19, "não extingais o Espírito.); "Confusão de rosto" (Dan 9:8) e até mal (Dan 9:12-14). A quebra de comunhão é para o crente verdadeiro uma correção eficaz. Aquele que já saboreou as delícias do fruto do Espírito Santo (Gal 5:22) e o conforto de um caminhar constante com o Santo sabe como é terrível a quebra da comunhão com Deus. Por isso Davi clamou para ter de volta tal alegria, e Pedro quando pecou, "chorou amargamente" (Mat. 26:75). 
A solução para o pecado na vida do crente é a confissão. A justificação é feita uma vez e "de tudo" (Atos 13:39) mas a purificação é contínua. A justificação é feita pela graça de Deus, "pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rom 3:24) e pela qual temos a "paz com Deus" (Rom 5:1), mas a purificação que faz parte da santificação é feita pelo crente (Lev 26:40-42, "então confessarão a sua iniquidade"; II Cron. 7:14; "se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos"; I João 1:9, "se confessarmos"). Existe uma lavagem constante que é parte da obra de santificação na vida do crente. Essa lavagem é pela Palavra de Deus (Efés 5:26) e nas horas de correção, quando a comunhão com Deus é quebrada, o crente clama por tal lavagem (Sal 51:2). 
Se está com a mão de Deus na sua vida e suspeita que haja pecado impedindo as bênçãos preciosas da Sua presença, procure o Deus em oração, que Ele sonda o seu coração, revelando-se qualquer coisa, confesse-a imediatamente, procurando humildemente a Sua misericórdia e aquilo que é necessário para endireitar os seus pés no Seu caminho. 

O Crente Não Perde a Vida Eterna
A felicidade eterna do crente é o que a Bíblia enfatiza repetidas vezes: o fato de que o salvo tem vida eterna. Essa salvação eterna é baseada na graça de Deus (Rom 11:6; Efés. 2:4-9; João 3:16; I João 4:19). O pecador, que é o objetivo da graça de Deus, não mereceu tal graça, nem antes de conhecê-la (Rom 5:6-8) nem depois (Rom 7:18). 
Não há como enfatizar demais o fato da vida eterna. Essa vida é diferente daquela que Adão conheceu no Jardim do Éden e daquela que o povo de Israel conheceu diante da lei. A vida que Adão conheceu era probatória e a vida que Israel conheceu sobre a lei era condicional. Enquanto Adão não comia da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele gozava paz com Deus e sua permanência no jardim do Éden (Gên. 2:17; 3:6, 22-24). Enquanto Israel não adorava ídolos, enquanto Israel cumpria a lei, gozava das bênçãos de Deus. O salvo é diferente, sendo que ele tem vida eterna baseada na obra de Cristo. 
A certeza dessa vida é entendida por palavras sugeridas pela Bíblia. Palavras como "salvar perfeitamente" (Heb 7;24,25), "não pereça" (João 3:16), "nunca" (João 10:28) e "ninguém pode arrebatar" (João 10:28,29) mostram a permanência desta vida em Cristo. É essencial lembrar que "os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rom 11:29). 
Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não transforme o que é eterno em temporário. O crente que peca perde a segurança da sua salvação. Isso quer dizer que ele perde o sentimento ou confiança da segurança da sua salvação. A segurança da salvação vem com a obediência (I João 2:3). 
Jonas conheceu esta perda de confiança com seu pecado, pois nas entranhas do peixe ele disse: "Lançado estou de diante dos teus olhos" (Jonas 2:4), uma condição que revela uma falta de comunhão e a falta de confiança que acompanha tal comunhão (II Pedro 1:4-9). 
Jeremias lamentou: "Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração" (Lam 3:8). Esse sentimento de abandono é mais usual entre os crentes que têm pecado (Sal 51:3,11; 77:7-9). 
A solução para o pecado na vida do crente é Cristo (I João 2:1,2). Aquele que é a salvação do pecador é a solução do crente que peca. 

O Crente Não Perde O Espírito Santo
Não deve ser uma surpresa para o crente que tudo sobre a sua salvação venha do Senhor (Jonas 2:9). Nenhuma parte da salvação, seja no passado no presente ou no futuro, depende da justiça do homem, principalmente porque o homem não tem nenhuma justiça própria (Isa 64:6; Rom 3:10-18). O Espírito Santo é quem opera as obras de salvação em nós. Ele testifica de Cristo (João 15:26) e nos convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). A fé é fruto do Espírito Santo (Gal 5:22) e também a segurança da própria salvação (Rom. 8:16). Por Deus ser Quem faz toda parte da obra de salvação o cristão pode ser ciente de que ela dura para todo o sempre (Ecl. 3:14; Isa 51:6,8). 
O pecador recebe várias promessas e possessões quando Deus o traz à fé em Jesus Cristo. Uma das coisas que ele recebe é o Espírito Santo. O Espírito Santo foi dado para ficar com o cristão para sempre (João 14:16). Será que um pecado por parte do cristão forçará Deus a mudar a Sua vontade? Existe algo que é maior que Deus para forçar que o Espírito Santo não fique mais com o cristão para sempre? Ninguém pode desfazer a obra de Deus por Cristo (Dan 4:35; João 10:28,29)! Nós merecemos perder o Espírito Santo, mas, por causa da promessa e a graça de Deus, não O perdemos (Mal 3:6). 
É importante lembrar que o Espírito Santo está na vida do crente por causa da obra de Deus por Cristo e não pela obra do crente. Se for pela obra de Cristo e se Cristo satisfaz Deus em tudo, (Isaías 53:11) o que a Sua obra efetua é eterna, pois Cristo é eterno (João 1:1; 8:58). 
A presença do Espírito Santo é tão segura que a Palavra de Deus usa a palavra "selados" para mostrar tal permanência. A palavra "selados" em grego significa "selar" ou "marcar com um selo". Isso seria para proteção, manter em confiança (Apoc 5:1,2), ou para provar (I Cor 9:2) ou confirmar (II Tim 2:19) (#4973, Strong’s, Online Bible). Essa permanência contínua é determinada pela frase "para o dia da redenção" (Efés. 4:30; 1:13,14). O dia da redenção é o dia em que o corpo, a alma e o coração do cristão estarão juntos no céu com Cristo. O cristão é seguro para esse dia. Sabendo que somos selados no Espírito Santo até o dia da redenção somos levados a sermos vigilantes; não por causa de uma possibilidade de poder perder o Espírito Santo, mas para não entristecer o próprio Espírito Santo. 
Pela possessão do Espírito Santo, o cristão é tido como sendo salvo (Rom 8:9,14-16). Para entender que a presença do Espírito Santo não se baseia na possibilidade de o crente não pecar, podemos considerar os irmãos na igreja em Corinto. Mesmo com os pecados grossos e a ignorância que existia naquela igreja, os membros foram denominados como tendo o Espírito Santo (I Cor 3:16). 
Todavia, o crente pode entristecer o Espírito Santo (Efés. 4:30; I Tess 5:19). Quando o Espírito Santo é entristecido, as vitórias na vida, as conquistas sobre o pecado e o crescimento na graça são prejudicados (Isaías 63:10; Heb 3:10-17). Pergunte ao Himeneu e Alexandre se valeu a pena entristecer o Espírito Santo (I Tim 1:19,20). 
A Solução para o pecado na vida do crente é uma limpeza espiritual constante. Note-se que Davi foi sondado por Deus mais de uma vez (Sal 139:1,23,24). É verdade que aquele arrependimento e a fé que trouxeram a salvação é uma atividade contínua para o crente que conhece a sua fragilidade pela carne (Col 2:6). Pelo andar no Espírito, o cristão é santificado para agradar a Deus e conhecer as bênçãos desse andar íntimo (Gal 5:24,25). Quando a carne está incitada na sua vida, seja ela crucificada com as suas paixões e concupiscências. Jamais as defenda. 

O Crente Não Torna Desqualificado para Ir ao Céu
Nenhum homem nascido de mulher vai ao céu por sua própria justiça. Só podem ir ao céu os que foram feitos idôneos. Por causa de o homem não ter nenhuma justiça própria (Isa 64:6; Rom. 3:10), ele deve ser feito idôneo pela justiça de um outro. Dependendo das qualidades pessoais de quem o faz idôneo, pode o homem participar da herança dos santos na luz. Foi Deus o Pai quem nos fez idôneos para tal participação, nos tirando da potestade das trevas e nos transportando para o reino do Seu Filho (Col 1:12,13). Se foi o mesmo Deus que fez essa obra, como alguém outro pode desfazê-la (João 10:29)? 
A obra que o Pai fez, fê-la por Seu Filho Jesus Cristo. Cristo se ofereceu para sempre como um único sacrifício pelos pecados. Pelo sacrifício de si mesmo, Cristo aperfeiçoa para sempre os santificados (Heb 10:12-14). Como é que um aperfeiçoado não conhecerá o lugar onde não há nada que o contamine (Apoc 21:27)? A herança dada por Jesus Cristo é incorruptível, incontaminável, não pode murchar (I Pedro 1:3-5) e de maneira nenhuma o Cristão será feito desqualificado para o céu (Judas 1:1,24). 
A obra de Deus feita pelo sangue de Cristo tirou toda a condenação de todo o pecado do crente (Apoc 1:5). Com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, fomos resgatados (I Pedro 1:18,19),e, por isso iremos ao Pai (João 14:6). 
A obra que Deus faz é perfeita. É tão perfeita que desde a eternidade Deus conhece o fim da Sua obra. Por isso o Espírito Santo inspirou o Apóstolo Paulo a escrever que os santificados que Cristo aperfeiçoou (I Cor 6:11) serão verdadeiramente glorificados (Rom. 8:29,30). Não há dúvida nenhuma de que os que foram amados com amor eterno e atraídos com Sua benignidade (Jer 31:3) estarão ao redor do Seu trono na glória (Rom. 8:17; Heb 2:10). Pelo poder de Deus, os salvos entrarão na sua herança (Atos 20:32). 
Todavia, mesmo que o filho endureça o seu coração à correção que o Pai dá (Heb 12:7) e não se torna desqualificado para ir ao céu, pode ter a sua vida encurtada aqui na terra. Deus é glorificado quando os Seus dão frutos (João 15:8) e os filhos de Deus que não se submetem à Palavra de Deus sofrem uma correção dura, até uma vida curta aqui na terra (I Cor 11:30; Sal 38:3; 89:30-34), mesmo que as suas almas sejam salvas no último dia (Sal 89:30-34; I Cor 3:15,16; 5:5). 
A Solução para o Cristão não ter pecado reinando na sua vida é ser vigilante em oração (I Pedro 4:7). É impossível ao Cristão que tenha uma vida de oração ativa viver em pecado. Portanto, vigiai em oração. Lembrando-se das bênçãos que tem em Cristo, o filho verdadeiro, purifica-se a si mesmo para ser como Cristo (I João 3:3). Portanto, lembre-se constantemente das bênçãos que tem em Cristo. Uma obediência ativa da Palavra de Deus faz que o Cristão seja prevenido de praticar o que não deve (Luc 19:13; Efés. 2:10). Portanto, seja intensamente ativa na obra de Deus. 

Um Resumo: Nenhum Cristão Nunca Vai ao Inferno para Eternamente ser Atormentado
O Apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, enfatizou que houve uma palavra fiel e digna de toda a aceitação. Essa palavra fiel era que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (I Tim 1:15). Se apenas um, entre todos os milhões de pecadores salvos por Cristo Jesus, fosse ao inferno para eternamente ser atormentado, essa palavra não seria fiel nem digna de aceitação. Mas as Escrituras determinam essa palavra fiel e digna. Os pecadores em Cristo são salvos! A beleza do fato de que Cristo é o Salvador dos pecadores é entendida quando se entende que Cristo não só veio para salvar os pecadores mas que também é poderoso para conservá-los (Judas 1:1,24) e guardar o que é depositado nEle até o dia final (II Tim 1:12). A certeza da salvação é baseada na pessoa e poder de Jesus Cristo. Como não há dúvida nenhuma de que o pecado destrói, incita medo, envergonha e engana, também não há dúvida nenhuma que Cristo pagou o preço inteiro para o crente ser apresentado perante a Sua glória irrepreensível e isso, com alegria (Rom. 5:6-8; Judas 24). Graças a Deus pela palavra fiel e digna de toda a aceitação! 
A paternidade que o filho de Deus tem por intermédio de Jesus Cristo é razão suficiente para assegurar que nenhum filho vai ao inferno. Pelo amor de Deus (I João 4:19) e pela vontade de Deus Pai (João 1:13) o crente é feito filho idôneo para participar da herança dos santos (Col 1:12). Há algo maior do que o Pai que pode modificar a vontade dEle (Dan 4:35; João 10:29)? Não! 
A posição que o filho de Deus tem por Jesus Cristo é razão suficiente para afirmar que o crente não vai ao inferno para eternamente ser atormentado. Nenhum filho de Deus sofrerá no inferno mas estará onde Cristo estiver. Isso é tão confiável quanto a oração e a vontade de Jesus (João 17:24; 14:1-6). Por causa de tal confiança o Apóstolo João afirmou: "Amados, agora somos filhos de Deus" (I João 3:2). Os verdadeiros Cristãos podem ter a mesma confiança. Sendo filhos, somos logo herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rom. 8:17), Quem nos aperfeiçoou para sempre (Heb 10:14). Por sermos nascidos filhos de Deus pela semente incorruptível, (I Pedro 1:23) temos a posição abençoada de filhos de Deus. Para estes não há nenhuma condenação (Rom. 8:1). 
A possessão que o filho de Deus tem por Jesus Cristo é razão suficiente para afirmar que o crente nunca perecerá no inferno. O Cristão tem a vida eterna, (Rom. 6:23) por estar em Jesus Cristo. Jamais os que crêem no Filho irão ao lugar de morte eterna pois têm a vida. São os que não têm Cristo que não têm e não verão a vida (João 3:36). Tanto quanto a vida eterna, o Cristão tem o Espírito Santo (Rom. 8:14; Efés. 4:30). Os que têm o Espírito Santo serão salvos no último dia sem dúvida nenhuma (I Cor 3:13-16) e não há nenhuma possibilidade de perecerem no inferno. 
Muitas vezes, as próprias boas obras dos Cristãos causam confusão em alguns. Há ênfase na Bíblia para o Cristão andar ao agrado do Pai, e isso, pela obediência. Não há dúvida nenhuma de que há boas obras para serem operadas pelo crente (Efés 2:10) que incluem um andar para testemunhar diariamente a Deus (Mat. 5:14-16) e uma batalha para ser feita pela fé. A confusão vem, quando as obras são interpretadas como sendo a causa e não o efeito da vida nova em Cristo. Pelo amor de Deus somos salvos por Cristo. Por sermos salvos nós amamos a Deus (I João 4:19). Não é o nosso amor que causa Deus nos dar Cristo. A nossa obediência é fruto do Espírito Santo de Deus, nos ensinando, consolando e guiando (João 14:26; 15:26; Gal 5:22,23) e não a causa de recebermos o Espírito Santo. Pode ser entendido por um estudo atencioso da Palavra de Deus que as boas obras, o bom testemunho, a batalha feita pela fé ou a nossa obediência nunca são as causas de obter Cristo ou a graça (I Tim 1:12-14). Devemos lembrar estas duas verdades: 
1. Salvação é pela graça - NUNCA é merecida (Rom. 11:6; Efés 2:8,9). 
2. Salvação é por Cristo - NUNCA pelo homem (João 3:35,36; 14:6; Rom. 5:6,8).
Em resumo é bom lembrar que é fato que o crente peca. Somente precisamos considerar as vidas de Abraão, de Jacó, de Moisés e de Davi para entendermos que os crentes pecam. Estes que pecaram não foram listados entres os que perecem no inferno, mas foram incluídos entres os que têm a fé verdadeira (Heb 11). Tinham a fé em Cristo (Heb 11:39; 12:2) e por isso alcançaram testemunho, mesmo antes que a promessa (Cristo) viesse. Você tem tal fé em Cristo? 

O QUE ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA?
Temos estudado até este ponto as belezas de ser conhecido por Deus através do Seu Filho Jesus Cristo. As bênçãos de tal relacionamento gracioso são maiores do que a condenação que qualquer ação pecaminosa pode trazer na vida. Mas estas verdades só confortam os Cristãos verdadeiros. De maneira nenhuma devem desculpar o domínio do pecado na vida de qualquer. Para a pessoa que quer andar com o nome de Deus na boca, mas quer amar o pecado no coração, estas verdades estudadas não têm nenhuma colocação. Se tal pessoa pode amar o pecado, sem ter a mão pesada de Deus castigando-a, a verdade plena é que tal pessoa não conhece Deus verdadeiramente. Essa pessoa não deve se iludir. Se uma pessoa não tem uma nova natureza (II Cor 5:17), que é testemunhada através do Espírito Santo morando e transformando a sua vida à imagem de Cristo (Rom. 8:11-14, 29), então essa pessoa não é nada de Deus. É a necessidade de ser nascido de novo, do Espírito (João 3:5-8). 
O Cristão está seguro eternamente em Cristo, mas essa segurança não deve ocultar a verdade de que o pecado tem efeito na sua vida terrena. O estudo que segue considerará essas verdades. 

A Comunhão com Deus está Quebrada
A natureza de Deus é santidade, (I Sam 2:2; I Pedro 1:13-16; I João 1:5, "não há trevas nenhumas") e dos Seus filhos também (I Pedro 1:14-16). O propósito da salvação é tornar o que era filho da desobediência em filho de Deus (Efés. 2:2; I João 3:1,2); o que era perdido, achado e salvo,(Luc 19:10) e o que era longe, perto (Efés. 2:13). Por Cristo, a natureza do pecador que se inclinava para a morte, pela carne, é feita nova para a vida em paz pelo Espírito por causa de Jesus Cristo (Rom. 8:3-10; II Cor 5:17). Pelo pecado, o homem natural é separado de Deus (Isa 55:1,2), mas por Cristo a parede de separação que estava no meio é derrubada e uma união de paz é feita onde a ira antes reinava (Efés. 2:13-16). Nessa vida nova, a comunhão é incentivada pelo Espírito Santo (Rom. 8:15) pois, na conversão, temos a mente de Cristo (I Cor 2:16) e vida nova com Deus. 
Quando o Cristão peca, a correção é imediatamente aplicada (Próv. 3:12; Heb 12:5-9) e parte dessa correção é uma quebra de comunhão com Deus (Sal 39:10,11; 51:1,10-12). A quebra de comunhão como correção não deve ser uma surpresa, mas entendida como sendo uma conseqüência normal (Amós 3:1-3). Por isso, quando os filhos de Israel praticaram o pecado, não cessaram de ser filhos, mas a vara de correção foi aplicada muitas vezes em uma comunhão quebrada, e eles clamaram ao Senhor para ter de novo essa comunhão. Essa comunhão quebrada pode existir por anos, e como podemos entender pela história de Israel, trouxe efetivamente os filhos de volta a clamar pela relação íntima que Deus desejava (Êx. 3:7,8; Juízes 3:9-11, etc.). Deus é o mesmo hoje (Mal 3:6). 
A quebra de comunhão é eficaz, pois o Cristão, pela vida nova, não se associa bem com o mundo, pois o mundo aflige a sua consciência (II Pedro 2:7). Quando, pelo pecado, a comunhão com Deus é quebrada por entristecer o Espírito Santo, o Cristão está mesmo em apuros. Ele não pode recorrer ao mundo e nem tem liberdade com o Senhor Deus. Pode ser parte da razão por que Pedro chorou amargamente (Mat. 26:75). Aquele que conhece a comunhão íntima com Deus sabe como a quebra de tal é uma vara de correção eficaz. 
A única solução é a confissão e o abandono do pecado (II Crôn. 7:14,15; Sal 51:1-4; Prov. 28:13; I João 1:9). 

O Poder para Ser um Servo Fiel é Destruído
Para se ser um servo fiel para a glória de Deus são necessários as Suas bênçãos. Ser um servo fiel não é fruto da carne. Na carne não habita bem algum (Rom. 7:18). Só as bênçãos de Deus em uma vida produzem fruto que convém ser visto publicamente (Gal 5:22). Mas quando há presença de pecado na vida, como podem as bênçãos de Deus ser esperadas? Não podemos servir a dois senhores (Mat. 6:24). Se servimos ao pecado estamos contra o Senhor (Mat. 12:30; Rom. 6:12,16). Se atendermos à iniqüidade em nossos corações, O Senhor não nos ouvirá (Sal 66:18). Devemos esperar o poder do Senhor em nossas vidas quando o Senhor não é agradado por nós? Devemos esperar força para obedecer quando estamos vivendo contra o Senhor? Se Deus não nos ouve, devemos estar seguros em nossas vidas espirituais? Sem tais bênçãos, sem a força de Deus e de Seu ouvido nos dando atenção, podemos realmente esperar poder ser um servo fiel? 
O servo fiel tem algo para ministrar aos outros. Ele continuamente conhece a beneficência, o juízo e a justiça na terra. Ele conhece que o Senhor é O Senhor (Jer 9:23,24). Ele tem constantemente a alegria e o gozo no seu coração que a Palavra de Deus produz (Jer 15:16). Ele bebeu naquele dia da fonte da água, que salta para a vida eterna e por isso tem o poder de Deus na sua vida (João 4:14; Atos 1:8). Este crente tem um relacionamento vivo que emana do seu andar com Deus. Mas, se o servo está praticando pecado, se tem mãos sujas, se não tem comunhão viva com o Senhor, como é que ele vai ter algo para proclamar ou pregar? Como é que o crente vai ser um servo fiel quando o céu parece fechado (Sal 34:16), o espírito parece morto (Sal 32:3,4) e as suas experiências estão confusas? Esse servo de Deus tem problemas sérios com ele mesmo, com o seu Deus e, conseqüentemente, com o mundo. 
A solução é confessar o pecado (Sal 32:5) e ter uma vida íntegra com o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por se dividir a adoração de Deus com o louvor do mundo, o poder de Deus na vida é destruído, então, uma vida reta para com Deus é o que deve ser procurada para remediar a situação (Sal 15:1-5). A possibilidade de o crente ter a glória de Deus na vida e ter o poder para ser um servo fiel somente é conhecida com atenção exclusiva à Palavra de Deus (Josué 1:7,8). Tendo um coração restrito a Deus e limpo de pecado, ânimo e poder de ensinar aos outros é lhe dado. (Sal 51:10-13). Apenas quando o crente busca primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, é que tem o de que necessita tanto na sua vida terrena quanto na sua vida espiritual (Próv. 2:1-9; Mat. 6:33). 

O Seu Testemunho Cristão é Danificado (I Tim 1:19; Tiago 3:13-18)
A ciência nos diz que a luz (com uma velocidade de 299,792 km/seg.) da estrela mais perto da terra, "Próxima Centauri", a uns 32 milhões de quilômetros, leva 3.3 anos para chegar à terra. A distância média das estrelas é uns 65 anos-luz (Enciclopédia Multimedia da Grolier, Ver. 8.01, 1996 - assunto ‘estrelas, distancia’ e ‘ano-luz’). A nossa vida espiritual é semelhante à luz de uma estrela. O brilho da nossa vida é visto e eficaz somente depois de muito tempo. Se algo entrasse entre a estrela e nós o brilho dela não mais seria visto por nós. Também, quando o pecado entra na vida do crente, esse brilho é interrompido ou, como acontece muitas vezes, é destruído completamente. 
Conforme Mateus 5:14, nós somos "a luz do mundo". Isso quer dizer que nós refletimos Cristo, que é a Luz (João 8:12), ao mundo através das nossas vidas. Verdadeiramente o que os outros sabem de Cristo é conhecido pelas testemunhas que somos (Tito 2:5; Tiago 3:13-18; I Pedro 3:1,2). Por isso somos chamados "a luz do mundo", a candeia no velador e a cidade edificada sobre um monte (Mat. 5:14-16). Quando o pecado faz parte das nossas vidas cotidianas, o brilho de Cristo é diminuído, ou seja, o nosso testemunho de Cristo é danificado. O pecado é igual a algo que está entre nós e uma estrela. O brilho de Cristo não é visto mais. 
Nosso corpo individualmente é o templo do Espírito Santo (I Cor 3:16,17; 6:19). O corpo somente pode manifestar, o que está por dentro dele. Se tiver pecado praticado por dentro, uma vida suja vai ser manifesta e não mais a glória de Deus. Um outro problema já é desencadeado com uma vida suja no mundo. Representamos mal o nosso Salvador ao mundo. Começamos por provocar confusão a todos ao redor de nós. Dizemos que somos Cristãos, mas vivemos em pecado. Dizemos que Cristo é poderoso para nos salvar dos pecados, mas vivemos caídos no pecado. Assim como um instrumento musical dando um som estranho, nós provocamos confusão (I Cor 14:7,8). O mundo ouve o que dizemos, mas examina as nossas vidas diárias. O mundo pensa, por causa dos nossas vidas, que Cristo é falho. 
Nós, como membros de uma igreja verdadeira, coletivamente, somos feitos o corpo de Cristo (Efés. 1:23). Se os membros da igreja estão com pecado não confessado e abandonado, como é que Cristo vai ser visto pelo mundo como santo na assembléia? O mundo não precisa de uma testemunha com testemunho danificado. O mundo precisa ver a palavra de Deus representada através de uma vida santa para saber o que realmente significa a nossa pregação verbal. Por causa do dano que uma vida pecaminosa faz de Cristo, a correção de Deus pode ser exercitada com dureza (I Tim 1:19,20; I Cor 11:30), mesmo que a alma seja salva (I Cor 3:15,16). 
A solução de pecado na vida é arrependimento a Deus. Isso inclui tristeza e abandono completo do pecado. Uma vez que o pecado é abandonado, o poder de Deus deve ser procurado para poder vencer o mal e para poder viver em submissão à vontade de Deus (Sal 139:23,24). Isso é o que o Apóstolo Pedro fez tornando-se um servo fiel (Mat. 26:75; João 21:17,19). 
Se o pecado for contra um irmão, um arrependimento para com aquele irmão convém para consertar o testemunho diante do mundo e ser perdoado por Deus (Jó 42:8; Mat. 5:23,24) 
Se o pecado for público, convém um arrependimento público. Somente assim terá um testemunho público restaurado (Zaqueu, Luc 19:8) 
Para viver um testemunho depois de o danificar, cuide bem com a sua submissão à Palavra de Deus. 

"Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra." (Sal 119:9) 

A Sua Posição no Céu é Determinada (Heb 11:32-35)
Se alguém for para o céu, será somente pela graça de Deus (Rom 5:15; 9:15,16; 11:6; Efés 2:8,9). Essa graça é motivada pelo amor de Deus por Seus eleitos (Jer 31:3; Efés 2:4-7). Quando falamos do céu, devemos enfatizar que o importante é conhecer Jesus Cristo no coração (João 14:6; Atos 4:12; I Cor 3:11; I Tim 2:5,6). Nenhum Cristão pode receber mais Cristo ou mais Espírito Santo do que qualquer outro Cristão. Os Cristãos podem ter responsabilidades diferenciadas e serem usados de forma variada durante o seu tempo na terra, mas todos os crentes em Jesus Cristo receberão o céu de igual forma. 
Todavia, a Bíblia revela que existem posições no céu (Mat. 19:30; I Cor 3:12; 15:41,42; Heb 11:35, "uma melhor ressurreição) tanto quanto há no inferno (Mat. 10:15; Apoc 20:13). 
No céu, essas posições são entendidas pela diferenciação dos galardões. Os galardões podem ser ganhos ou perdidos. Os galardões são coroas. Existem coroas da justiça (II Tim 4:8), da vida (Tiago 1:12), da glória (I Pedro 5:4; I Cor 9:25) e são para serem lançadas aos pés de quem está no trono (Apoc 4:9-11). Também entendemos que os Cristãos terão as suas obras julgadas pelo julgamento diante de Cristo (Rom 14:10; II Cor 5:10). Este julgamento não é o julgamento geral dos incrédulos, mas é o julgamento em que as obras feitas pelo Cristão em vida serão julgadas. 
A posição no céu é determinada pelo serviço a Cristo durante a sua vida terrestre (Heb 11:26, 35). As obras determinam as coroas que temos e nossa posição no céu (I Cor 3:11-15). As obras feitas na força da carne findam-se em palha, feno e madeira, e serão queimadas ou perdidas. Perdendo os galardões, a posição no céu é determinada. As obras feitas na força de Deus para a Sua glória em amor nos dão ouro, prata e pedras preciosas e os galardões permanecem. Devemos ter cuidado para que ninguém tome a nossa coroa (II João 8; Apoc 3:11), tal perda será causa de choro (Apoc 21:4). 
A perda das coroas, pela infidelidade do Cristão na vida terrena, confunde muitos. Pela perda das coroas, muitos entendem a perda da salvação. Mas a salvação é pela obra de Cristo e por isso é segura eternamente. As coroas são ganhas pela operação da graça de Deus em nossa vida Cristã na terra e determinam a nossa posição no céu. Podemos perder as coroas (I Cor 3:15; Apoc 3:11), mas nunca podemos perder Cristo ou o céu (João 10:27-29). O Cristão nunca será separado de Deus (Rom 8:35-39). 
A solução para não perder os galardoes é não andar pela carne na vida Cristã (Gal 2:20). Uma vida piedosa "para tudo é proveitosa" (I Tim 4:8), e é a maneira pela qual fazemos as boas obras (Efés 2:10; Tito 3:8). Vivendo no Espírito (Gal 5:16), aplicando-nos mais e mais para viver conforme a Palavra de Deus, é viver segundo o poder de Deus em Cristo, Quem nos apresentará diante de Deus irrepreensíveis (Judas 24). 

A Sua Vida Terá o Castigo de Deus (Heb 12:5-11)
Castigo, para muitos, é uma palavra feia. No contexto bíblico, em referência a uma ação de Deus para com os seus, ou dos pais para com os seus filhos, é uma ação de amor. É amor tanto para com a pessoa corrigida quanto pelos princípios de justiça e santidade mantidos em alto respeito. O castigo aplicado por Deus, para com os Seus, jamais é uma ação de rancor, malícia, ódio ou outra manifestação que emana de uma falta de amor. 
A condenação dos pecados precisa ser feita (Ezequiel 18:20, "A alma que pecar, essa morrerá"). Os que não têm os seus nomes escritos no livro da vida, os que nunca foram regenerados para serem filhos de Deus por Jesus Cristo, terão os seus pecados castigados no tempo do porvir no lago de fogo (II Tess 1:8-9; Apoc 20:11-15). Os que já foram regenerados por Deus têm seus pecados já castigados em Cristo (Isa 53:4-6; Rom 5:6-8; II Cor 5:21). A condenação eterna dos seus pecados foi levada em Cristo (Rom 8:1). Mas, mesmo assim, estes têm a sua desobediência corrigida em vida (Heb 12:5,6). 
Este castigo (repreensão) dos filhos de Deus é para correção, e é marca de que é filho de Deus (Heb 12:7,8). Estes açoites vêm do Senhor (I Cor 11:32) e vêm para o bem (Rom 8:28, "para o bem"; Heb 12:10, "para nosso proveito, para sermos participantes da sua Santidade."). Deus pode usar os outros para estender a Sua correção (Mat. 18:15-17 - a igreja; Núm. 21:6 - situações; Juízes 3:3, 4 - pessoas que não conhecem a verdade) mas sempre vêm com a Sua direção. O castigo do Senhor é com o intuito de revelar o Seu amor (Prov. 3:12; Apoc 3:19, "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo"), e de limpar os Seus para Ele (Efés 5:26,27; Heb 12:9,11). 

TANTO MAIS SUJEIRA FAZ, MAIS "CORREÇÃO" LEVA
A solução é andar reto conforme a Palavra de Deus. Quando pecares, confessa-o (I João 1:9) e volta a observar os princípios deixados de obedecer (Sal 119:9; Apoc 3:19, "sê pois zeloso, e arrepende-te). 

Sua Vida na Terra Pode Ser Encurtada (João 15:1-3)
Brincar com Deus nunca foi saudável. Deus deve ser obedecido com temor e reverência (Ecl 12:13). O homem que peca, seja filho de Deus ou não, conhecerá a mão pesada de Deus. O filho de Deus conhecerá o castigo para trazê-lo à correção (Heb 12:5,6). Quem não é filho de Deus não conhecerá a correção, mas conhecerá a punição eterna que leva à glória de Deus por Jesus Cristo (Fil. 2:10,11; Luc 16:27,28). Podemos procurar esconder as nossas ações de pecado pelas desculpas, boas intenções ou pela ignorância, mas Aquele que conhece os corações agirá com justiça e Ele não depende de nossas explicações. A correção de Deus para quem está em Cristo e insiste no pecado, pode resultar em morte ‘precoce’ (João 15:2, "Toda a vara em Mim, que não dá fruto, a tira"). A punição para quem não está em Cristo não é outra; "será lançado fora, como a vara, e secará; e a colhe e lança-a no fogo, e arde." (João 15:6). Em vez de brincar com pecado, devemos arrepender-nos dele e correr à misericórdia de Deus, que foi revelada em Cristo. 
Há casos bíblicos de morte de crentes que insistem no pecado. Em Eféso, onde Timóteo estava pastoreando (I Tim 1:3), Hemeneu e Alexandre foram dois que não conservaram a fé e a boa consciência e fizeram naufrágio na fé. Eles foram entregues a Satanás "para que aprendam a não blasfemar" (I Tim 1:19,20; II Tim 2:16-19; II Tim 4:14). A instrução do Apóstolo Paulo para os crentes em Corinto, que insistiram no pecado, era para serem entregues a Satanás, não para a destruição da alma, mas, sim, do corpo (I Cor 3:12-16; 5:1-5). Há o caso dos crentes que não procuraram o perdão para serem sérios na prática da sua confissão e foram afligidos com doenças e até alguns morreram (Atos 5:1-10; I Cor 11:28-31). 
Deus quer que Seu povo seja santo. Aquele que está oprimido pelo seu pecado e cansado dele, está instruído a tomar o jugo de Cristo e a aprender dEle (Mat. 11:28-30). 
"Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano. Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a." Salmos 34:12-14 

COMO TER A VITÓRIA DO PECADO
Por vivermos em um mundo onde o astuto Satanás é o príncipe das potestades do ar (Efés. 2:2); por não temos que lutar contra a carne e o sangue (Efés. 6:12); por termos um coração enganoso mais do que podemos conhecer (Jer 17:9) e pelos efeitos destrutivos que o pecado faz na vida do crente, (nos estudos acima) devemos ser perspicazes sempre. 
Devemos ser atentos. Em toda hora temos que estar cuidadosos, pois o diabo não cessa de perturbar os retos caminhos do Senhor (Atos 13:10). Ele é como um leão faminto, buscando a quem possa tragar (I Pedro 5:8) destruindo com mentiras e homicidas desde o começo (João 8:44). Quando deixamos de ser prudentes como devemos (Mat. 10:16), ou quando cessamos de olhar e vigiar em oração (Mat. 26:41; Mar 13:33; I Tess 5:8; I Pedro 5:8), deixamos de sair pelo escape que Deus dá justamente para podermos suportar as tentações e ardis de Satanás (I Cor 10:13). O Pedro deixou de ser atento em uma só ocasião e caiu na tentação de confiar na carne (João 13:37; 18:17,25-27). Esta única vez por não vigiar bem trouxe para ele um choro amargo naquela hora (Mat. 26:75) e um testemunho mau que dura até hoje. Por causa da natureza sutil, enganosa e destrutiva do pecado, não temos opção nenhuma para ter a vitória senão de sermos atentos em todo o tempo. 
Devemos ser experientes também. Não devemos dar-nos o luxo de pensar que o que aconteceu uma vez não pode acontecer outra vez. Cada um de nós tem "o pecado que tão de perto nos rodeia" (Heb 12:1), ou seja, uma tentação que Satanás usa repetidas vezes em nossa vida para nos fazer presa dele. Talvez, pela graça de Deus, tenhamos a vitória em vários casos de tentação neste pecado, mas, para continuarmos a ter a vitória, devemos lembrar que Satanás não dorme, e somos aconselhados a não dormir também (Luc 21:34-36). O ato de Abraão mentir sobre a mulher várias vezes (Gên. 12:10-20 - 20:1-5,12,13) é prova que devemos ser experientes. Pedro negou não uma vez somente, mas três vezes (João 13:37; 18:17, 25-27). Cabe a nós reconhecer os sintomas e não sermos ingênuos. O que aconteceu a um outro, pode acontecer conosco também. As tentações são humanas (I Cor 10:13). O que aflige nossos irmãos cristãos, pode nos afligir também (I Pedro 5:9). O que aflige os do mundo pode nos afligir também, pois temos corações enganosos e as mesmas paixões (Atos 14:14,15). Cristo instruiu os discípulos a lembrar-se "da mulher de Ló" (Luc 17:28-32) para que eles fossem prudentes. Paulo lembrou Timóteo de Himeneu e Alexandre (I Tim 1:19,20) para que retivesse a fé e a boa consciência, querendo que ele fosse experiente. Nós temos a Bíblia em nossas mãos e ela foi escrita para nosso ensino (Rom. 15:4). Não há razão de sermos inexperientes. Podemos e devemos aprender com os problemas e com as situações anteriores que provocaram o pecado, tanto em nossas vidas quanto na vida dos outros. O escape da última vez pode ser o mesmo que precisamos em contínuo. Resistir devemos, mas não na carne. Temos que resistir firmes na fé, (I Pedro 5:6-9) sujeitando-nos melhor a Deus (Tiago 4:7,8). 
Se queremos mesmo ter a vitória sobre o pecado devemos ser santos. Devemos guardar os nossos corações (Próv. 4:23-26) porque dele procedem as fontes da vida. Os que observam a Palavra de Deus para praticá-la em suas vidas diárias são os que podem resistir nas tempestades que certamente virão na vida de cada um de nós (Mat. 7:24-27). Uma vida que tem a armadura de Deus é uma vida pronta para ter a vitória sobre as ciladas do diabo, (Efés. 6:11-18). A armadura de Deus é tida somente se está convertido e é ativada pelo uso (Efés. 6:18, "orando em todo o tempo"). Somente os que manejam bem a Palavra de Deus não precisam de se envergonhar (II Tim 2:15). Apenas os que estão chegados a Deus (Tiago 4:8) vão lembrar de lançar sobre Ele toda a ansiedade na hora de aperto (I Pedro 5:7). Sendo espiritual na hora da tentação podemos desviar-nos do mal, tiramo-nos do meio do mal, sustentar-nos na aflição e moderar as nossas reações para não complicarmos mais a situação. 
Há perigo no pecado para qualquer pessoa, mas especialmente para o crente. Para vos afastares do pecado, chegai a Deus. Tendo feito tudo para resistir, sede firmes. 
"Alegrai-vos na esperança Sede pacientes na tribulação Perseverai na oração" Romanos 12:12


Bibliografia 

1 - PINK, Arthur W., Sins of the Saints. Chapel Library, Pensacola, sd.
2 - BÍBLIA SAGRADA, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1/94
3 - Correção ortográfica e gramatical: Helen Flávia Meneguesso 5/00
Supervisão: Sylvia Jorge de Almeida

Um Cristão pode ser possuído por demônios?


Por Thomas Magnum

Essa pergunta já me foi feita muitas vezes em ocasiões muito diferentes. Devido a uma característica da teologia do medo implantada desde épocas medievais, que tem se arrastado pelo colonialismo e chegado até a era digital. Podemos ler esse temor na vida de muitos crentes que absorveram tal afirmação de que o demônio pode "pega-lo" se ele não for fiel.

Devido a catolicidade de uma teologia embebida de crenças macumbadas esse tipo de afirmação obteve algum sucesso em igrejas brasileiras. Principalmente com o crescimento e influência da IURD* na prática e crença de igrejas no Brasil. A teologia do medo implantada, que visa claramente uma fidelização a instituição que liberta o fiel, é um fator decisivo, basta assistir por cinco minutos os testemunhos de programas de Tv de igrejas neopentecostais "Quando cheguei aqui não tinha nada, o diabo tomou tudo de mim, era possuído pelo Exu caveira, mas fui liberto", e por aí vai.

Devido a grande facilidade de superstições serem abraçadas pela religiosidade brasileira temos esse crescimento cancerígeno dentro dos arraiais evangélicos. Uma outra característica de igrejas neopentecostais é o posicionamento papal de seus missionários, bispos, apóstolos e pastores. O sacerdócio de cada crente e a importância de cada membro ter contato direto com a Palavra de Deus não é influenciado, o que o líder diz não deve ser examinado ou questionado, apenas aceito e praticado. A Palavra de Deus nos adverte "E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos 17:10-11). Claro que essa prática é desencorajada em tais igrejas, como o era no período anterior a reforma.


No entanto a Bíblia nos garante que somos guardados por Deus, "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge" (1 João 5:18). Nos diz também "Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura" (João 17:11-12).
Não temos em nenhuma parte da Escritura relatos de crentes endemoniados, e a Palavra nos diz que o mal já está vencido por Jesus, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz, Colossenses 2:15. É fato que a atuação de demônios não é fantasiosa nem utópica, mas real, contudo a doutrina bíblica da justificação nos mostra que os eleitos são propriedade de Deus, são seus filhos - "porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Romanos 8:14).


Não devemos cair em uma crença dualista, que existem poderes opostos com mesmo grau de força, que guerreiam entre si, não, Deus é soberano - "Pois esse é o propósito do Senhor dos Exércitos; quem pode impedi-lo? Sua mão está estendida; quem pode fazê-la recuar?" (Isaías 14:27). Até a atuação do diabo está debaixo da vontade de Deus, Satanás é um anjo caído, submisso ao seu criador "Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás! Pois está escrito: Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto" (Mateus 4:10). "Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o acorrentou por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações até que terminassem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo." (Apocalipse 20:2-3). Note que em cada texto bíblico Deus é o Soberano, ainda: "Vi o céu aberto e diante de mim um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro. Ele julga e guerreia com justiça. Seus olhos são como chamas de fogo, e em sua cabeça há muitas coroas e um nome que só ele conhece, e ninguém mais. Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus. Os exércitos do céu o seguiam, vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos. De sua boca sai uma espada afiada, com a qual ferirá as nações. Ele as governará com cetro de ferro. Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso. Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES" (Apocalipse 19:11-16).


Devemos ter cuidado, examine as escrituras, leia bons livros, frequente uma igreja sadia doutrinariamente, isso fará bem para sua saúde espiritual e emocional


quinta-feira, 17 de abril de 2014

A letra mata, mas o Espirito vivifica

Por Douglas Pereira da Silva

O titulo da postagem alude a mais um velho jargão, aplicado indevidamente nos púlpitos das congregações, por alguns lideres e membros de ministério, que sem quaisquer base e contexto bíblico, empregam-na com o objetivo de verberar contra àqueles que prezam pelas Sagradas Escrituras, estudando-na de forma sistemática e diligente para aprender do Senhor a sua vontade registrada na Bíblia Sagrada, afim de manejar bem a Palavra da verdade não tendo do que se envergonhar. (II Timóteo 2.15)

Como certa vez afirmou Augustus Nicodemus Lopes:

"Quem usa "a letra mata mas o Espírito vivifica" para condenar os teólogos de gabinete esquece que foram alguns deles que ralaram atrás dos livros e gramáticas para que estes desavisados pudessem entender το γαρ γραμμα αποκτεννει, το δε πνευμα ζωοποιει".

É preciso ler o contexto de II Corintios 3.6, para entender esta expressão usada por Paulo.

No seu contexto, esta linha de II Coríntios 3.6 expressa um contraste importante entre a impropriedade do sistema do Velho Testamento e a suficiência de Cristo para nos salvar do pecado. A "letra" representa o "ministério da morte, gravado com letras em pedras" que foi dado aos israelitas através de Moisés (3.7,3). O “Espírito” representa a nova aliança de Cristo, revelada através do Espírito Santo e escrita em nossos corações (3.3,4,6,8).

A letra que mata era justamento isso: a antiga aliança, o código penal mosaico utilizado pela nação de Israel, durante o advento da Lei.

A passagem em questão nada têm haver com estudo Bíblico e Teologia.

Quem desta forma procede, ou seja, utilizando a expressão "a letra mata mas o espirito vivifica", a fim de justificar algum ensino doutrinário humano e antibíblico, ou para verberar contra os servos de Deus que anseiam por sua Palavra, estudando-a diligentemente e medita nela dia e noite (Josué 1.8), demostra total negligência para com as coisas de Deus e apresenta uma "bela" desculpa para não estudar as Escrituras e assim crescer na graça e no conhecimento de Deus. (II Pedro 3.18)

Muitos religiosos e "igrejólatras" de plantão que estão presos a dogmas e costumes doutrinários, de fato, matam verdadeiramente as pessoas, quando usam a palavra de Deus, para condenar àqueles que outrora caíram em pecado, privando-a de toda a esperança de perdão e salvação que Cristo concede, e que poderia conduzir o filho arrependido de volta à casa do Pai. 

Conforme pontuou muito bem o nobre irmão Alceu Figueiredo, quando argumentou que os tais que assim procedem, fazem:

"sem perceber que o Espírito com que ela foi escrita (a Bíblia Sagrada), apontava a necessidade de um Salvador, que é Cristo, o Senhor"

Portanto, estude a Bíblia, leia a Bíblia, medite na Bíblia, pois:


"Este livro afastará você do pecado, ou o pecado afastara você deste livro". (Dwight L. Moody, 1837 - 1899)

Existem apóstolos nos dias de hoje?


Trecho do livro “Reforma Agora – o antídoto para a confusão evangélica no Brasil", de Renato Vargens

Nunca se viu tantos apóstolos como neste início de século. Em cada canto, esquina e cidade encontramos alguém reivindicando o direito de ser chamado apóstolo.

O chamado movimento de restauração defende a tese de que Deus está restaurando a igreja. Para estes, após a morte dos primeiros apóstolos, a igreja de Cristo paulatinamente experimentou um processo de declínio espiritual culminando com a apostasia vivenciada pelos seus adeptos no período da idade média.

Com o advento da Reforma Protestante, os defensores desta teologia afirmam que Deus começou a restaurar a saúde da igreja. Segundo estes, Lutero foi responsável pela redescoberta da salvação pela graça, e agora no século XXI, estamos vivendo a restauração do ministério apostólico. Os teólogos desta linha de pensamento afirmam que a restauração dos apóstolos é uma das últimas coisas a serem feitas pelo Senhor, antes de sua vinda. Para os adeptos desta linha de pensamento, os apóstolos de hoje possuem, em alguns casos, maior autoridade do que os apóstolos do primeiro século, até porque, para os defensores desta corrente teológica a glória da segunda casa será maior do que a primeira.

Para estes o ministério apostólico não acabou. Na verdade, tais teólogos advogam que o ministério apostólico é perpétuo e que o livro de Atos ainda continua a ser escrito por santos homens de Deus, os quais, mediante a sua autoridade apostólica, agem em nome do Senhor.
Este movimento tem suas semelhanças com o surgimento dos mórmons e a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, que ensina que o corpo de escritos inspirados por Deus não se fechou e que Deus tem muita coisa nova para dizer e para revelar aos seus santos através de seus apóstolos.

Infelizmente, assim como os mórmons, os adeptos do movimento apostólico consideram a Bíblia uma fonte importante, mas não única para a fé. Para os apóstolos deste tempo, Deus, através de seus profetas, pode revelar coisas novas, ainda que isso se contraponha a sua Palavra. Basta olharmos para as doutrinas hodiernas que chegaremos à conclusão que os apóstolos do século XXI, acreditam que suas revelações são absolutamente diretivas, normativas e inquestionáveis.

1. O apóstolo teria de ser testemunha do Senhor ressurreto. Em Atos vemos os apóstolos reunidos no cenáculo, conversando sobre quem substituiria Judas. Em Atos 1.21-22 lemos: É necessário pois, que, dos homens que nos acompanham todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre vós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição”. Paulo diz que viu Jesus ressurreto: “Não sou, porventura livre? Não sou apóstolo? Não vi a Jesus, Nosso Senhor?” (1Co 9.1)
2. O apóstolo tinha de ter um chamado especial da parte de Cristo para exercer este ministério. As Escrituras são absolutamente claras em nos mostrar que os apóstolos, incluindo Paulo, foram chamados por Cristo (Mt 10.2-4; Gl 1.11-24).
3. O apóstolo era alguém a quem foi dada autoridade para operar milagres. Isso fica bem claro em 2Coríntios 12.12: Pois as credenciais do meu apostolado foram manifestadas no meio de vós com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miraculosos”. Era como se ele dissesse: “Como vocês podem questionar meu ofício de apóstolo, se as minhas credenciais foram apresentadas claramente entre vós”. Sinais, milagres e prodígios maravilhosos.
4. O apóstolo tinha autoridade para ensinar e definir a doutrina firmando as pessoas na verdade.
5. Os apóstolos tiveram autoridade para estabelecer a ordem nas igrejas. Nomeavam os presbíteros, decidiam questões disciplinares e questões doutrinárias, e falavam com autoridade do próprio Jesus.

Será que diante destas questões os “apóstolos” da modernidade podem de fato reivindicar o título de apóstolo de Cristo? Por acaso, algum deles viu o Senhor ressurreto? Foram eles comissionados por Cristo a exercerem o ministério apostólico? Quantos dos apóstolos brasileiros ressuscitaram mortos? E suas doutrinas? Possuem elas autoridade para se contraporem aos ensinamentos bíblicos?

Pois é, infelizmente os “apóstolos” do nosso tempo não possuem respostas a estas perguntas.

O posicionamento da ortodoxia evangélica entende que o ministério apostólico cessou com a morte dos apóstolos no primeiro século. Sem a menor sombra de dúvidas, considero a utilização do título “apóstolo” por parte dos pastores como uma apropriação indevida de um ministério, o qual não existe mais nos moldes que vemos no Novo Testamento.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

O que é Batismo com Fogo


Por Leonardo Dâmaso

Email respondendo a pergunta da dona Francisca Peixoto das Neves Bueno, a irmã Chiquita.

(Este nome é fictício, porém, o fato descrito na pergunta é bem real e comum no meio evangélico pentecostal e neopentecostal, claro, com algumas exceções).

Professor Leonardo, você poderia me explicar que tipo de batismo é o batismo de fogo mencionado em Mateus 3.11? Este batismo com fogo é um revestimento de poder do Espírito Santo conforme o meu pastor diz em suas pregações?

Irmã Chiquita, é muito comum vermos no meio evangélico, especialmente no meio pentecostal e neopentecostal, não somente pregações, mas também as famosas campanhas e vigílias baseadas nessa passagem de Mateus 3.11.

Geralmente, tais pregações, campanhas e vigílias têm como base ou tema frases do tipo: “A necessidade do batismo com fogo”; “A campanha dos 7 elos do fogo purificador de pecado” ou “A vigília do fogo que batiza e renova com poder”.

O evento desta passagem de Mateus 3.11, também descrito nos evangelhos de Marcus 1.8 e Lucas 3.18, na maioria dos casos, é entendido como se o batismo com fogo no qual João diz que Jesus batizaria juntamente com o batismo com o Espírito Santo é um batismo de “purificação e revestimento de poder do Espírito Santo”. Não obstante, este batismo com fogo capacita o crente com “unção e poder” para ter uma vida espiritual mais profunda com Deus, a pregar o evangelho, orar fervorosamente, realizar exorcismos e triunfar sobre os demônios, curar os enfermos dentre outras coisas.    

No entanto, se fizermos uma exegese cuidadosa e detalhada de toda a passagem em pauta, analisando meticulosamente todo o seu contexto, as palavras chave e o original grego, veremos que esta interpretação popular acerca do batismo com fogo como uma espécie de “poder e unção especial” é diametralmente equivocada! Vamos, então, a análise da passagem: 

Mateus 3.11 – Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (NVI)

Para que possamos interpretar corretamente o texto a lume e chegarmos ao seu real e único significado, isto é, entender o que de fato ele diz, é necessário examinarmos o contexto anterior de Mateus 3.11 que começa a partir do versículo 1. Observe Mateus 3.1-12:

Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo. Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele. As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: "Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.” (NVI)

O contexto da passagem de Mateus 3.11 ressalta a dura pregação de João Batista chamando o povo ao arrependimento, pois o reino de Deus estava próximo (vs.2), e, em contraste, ele mostra o resultado daqueles que não se arrependerem sofrerão, ou seja, a ira futura (vs.7). Portanto, o tema vigente que predomina nesse trecho é o chamado ao arrependimento! A ênfase de João em sua premissa recaí inteiramente sobre o destino daqueles que não se arrependerem dos seus pecados (vs.10-12).

A palavra chave nesse trecho de Mateus é batizo (βαπτίζω), que no grego denota mergulho; 1 significa o sepultamento da velha vida em contraste com o nascimento de uma nova vida. 2 Sendo assim, três tipos de batismo estão destaque aqui:   

1. O batismo com água. Este batismo demonstrava uma atitude de arrependimento dos pecados. Este batismo de João simbolizava uma espécie de limpeza espiritual e tinha suas raízes no nos rituais de purificação do AT (veja Lv 15.13). 

2. O batismo com ou no Espírito Santo. Todos os crentes verdadeiros são batizados com o Espírito Santo no momento da conversão. Esse batismo é o mesmo que o novo nascimento (veja 1Cor 12.13).

3. O batismo com fogo. Este batismo, mediante o contexto analisado, significa o batismo como um meio de punição ou condenação eterna para os que não se arrependerem de seus pecados (vs.10-12).

Desse modo, concluímos, então, que, o “batismo com fogo”, diferente do batismo com o Espírito Santo, que é o nascer de novo, significa o batismo para a condenação. No dia do julgamento final dos homens, que se dará na segunda vinda de Cristo, a justiça de Deus se manifestará em ira e sobrevirá sobre os ímpios obstinados onde eles serão batizados e castigados pela morte e pelo tormento eterno no lago de fogo e enxofre. Espero que através desta carta, irmã Chiquita, a Senhora seja esclarecida. Um abraço! A paz de Cristo Jesus!